Visitante derruba e parte estátua de São Miguel no Museu Nacional de Arte Antiga

ATUALIZADA. Esta manhã, um turista brasileiro derrubou uma estátua de madeira, do século XVIII. Ministério garante que "danos são reversíveis"

"Este domingo, de manhã, enquanto recuava, para tirar uma fotografia, um turista brasileiro tocou acidentalmente numa escultura barroca de madeira", confirmou ao DN fonte oficial do Museu Nacional de Arte Antiga. O incidente ocorreu no novo Piso 3, na Galeria de Escultura Portuguesa, "mas ninguém se magoou e a equipa de conservação e restauro já foi chamada", adiantou a mesma fonte. A sala já está fechada, devendo reabrir na terça-feira.

A situação ocorreu neste domingo, o primeiro do mês e, como tal, de entrada gratuita. No Facebook, onde o acidente foi denunciado por Nuno Miguel Rodrigues, ao post "o pior dia para visitar o MNAA" este visitante juntou o comentário "é o preço a pagar pela gratuitidade do primeiro domingo de cada mês". O post foi mais tarde retirado desta rede social.

A estátua estava nesta galeria desde julho, altura em que foram inauguradas as novas salas do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), no terceiro piso do edifício. Segundo Teresa Bizarro, assessora do Ministério da Cultura, uma primeira avaliação conclui que os "danos são reversíveis", afirmou à Lusa. A assessora adiantou ainda que um dos vigilantes do museu terá ainda avisado o turista para não recuar mais, mas este não o ouviu a tempo. Teresa Bizarro admitiu que, nos próximos dias, a direção do museu irá analisar o caso com maior profundidade, podendo inclusivamente escolher outro local para expor a estátua.

Lembre-se que no final do verão, António Filipe Pimentel, diretor do museu, convidado a participar na Escola de Quadros do CDS, classificou a situação do Museu de Arte Antiga de "calamidade".

"São 64 pessoas para 82 salas abertas ao público. De certeza absoluta que um destes dias há uma calamidade no museu. Só pode, porque andamos a brincar ao património. Mas a esta altura todas as tutelas dispõem de toda a informação cabal do que vai acontecer, mas quando acontecer, abre os telejornais", disse na altura António Filipe Pimentel, citado pela Lusa.

A estes dados pode acrescentar-se outro, apurado pelo DN: são menos de trinta os vigilantes para essas mesmas 82 salas.

Estátua de São Miguel Arcanjo

Na altura, as declarações de António Filipe Pimentel criaram algum mal-estar entre o Ministério da Cultura e o diretor do Museu, situação que acabou por ser ultrapassada após uma carta enviada pelo diretor do MNAA na qual pedia desculpas formais à tutela. Nesse documento, a que o DN teve então acesso, António Filipe Pimentel realçava a relação pessoal criada com o ministro da Cultura, "que se tem distinguido pela sua elevada qualidade". "É à sua luz - porque as instituições se fazem de pessoas -, que peço queira aceitar este pedido de formais desculpas", lia-se.

À Lusa, Teresa Bizarro assegurou que este acidente "não tem nada a ver" com o alerta lançado por António Filipe Pimentel.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.