Aos 88 anos, completados em janeiro, Alberto Zedda é ainda uma força da natureza alicerçada num espírito vivacíssimo, cuja confrontação só nos pode impressionar. Diante dele, estamos perante o pai da "Rossini Renaissance": a revolução ou reavaliação global iniciada há cerca de 40 anos e que permitiu lançar uma nova luz sobre a obra do autor e recuperar muitos títulos para o repertório corrente dos teatros. "Na minha juventude, havia um grande preconceito contra Rossini", conta - "para quase todos, ele era apenas um autor de ópera cómica. Só se fazia o Barbeiro, a Italiana e muito ocasionalmente, a opera seria Mosè in Egitto, mas numa versão pastiche" A isto acrescia a opinião de que Rossini "não tinha grande profundeza de métier, que compunha mais com instinto do que com ciência"..Ao longo destas décadas, Zedda e outros maestros, musicólogos como o americano Philip Gossett e várias gerações de cantores que reaprenderam a arte do canto rossiniano - muitos deles passaram pela Academia Rossiniana de Pesaro, que Zedda dirige - demonstraram o contrário. Hoje, a grandeza de Rossini é incontestada e Zedda localiza-a com tanta sinceridade quanto facilidade: "se me perguntam onde reside a verdadeira grandeza musical - porque a de comunicador teatral é absoluta e indiscutível - de Rossini, eu responderei: no ritmo. Tudo depende do ritmo e da forma como é vertido. Ninguém usa o ritmo com tal liberdade, vitalidade, energia e força. É o ritmo que canta, em Rossini, é algo identitário nele. E é sobre esse ritmo que é preciso fazer rubato!" Aqui reside, para ele, "o segredo que torna Rossini grande, e primeiramente o Rossini dramático, das opere serie, porque o cómico funciona bem de qualquer maneira. Mas nas obras dramáticas, é o ritmo a verdadeira força e o motor da tragédia !".Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN