Tradução do livro que levou à detenção de Luaty Beirão à venda

"Da Ditadura à Democracia", o livro que Luaty Beirão e outros 14 ativistas políticas angolanos liam quando foram detidos, está à venda.

Da autoria de Gene Sharp e editado em Portugal pela Tinta da China, "Da Ditadura à Democracia" foi hoje posto à venda. As receitas e direitos de autor revertem, segundo a editora a favor dos presos políticos de Angola.

"Da Ditadura à Democracia" foi considerado um "livro altamente subversivo" pelo embaixador itinerante de Angola, António Luvualu de Carvalho numa entrevista que concedeu a uma televisão portuguesa no auge da crise política desencadeada pela greve de fome de Luaty Beirão. "Concordo consigo. É um livro altamente subversivo, mas em regimes totalitários. Não é subversivo em democracias. Este livro não leva ao derrube de democracias", respondeu o escritor José Eduardo Agualusa na mesma ocasião.

A capa do livro "Da Ditadura à Democracia", de Gene Sharp

O rapper luso-angolano e outros 14 ativistas angolanos reuniram-se para ler o livro quando foram detidos pela polícia angolana em junho. Segundo a acusação, os jovens encontravam-se aos sábados para discutir as estratégias e ensinamentos da obra "Ferramentas para destruir o ditador e evitar uma nova ditadura, filosofia da libertação para Angola", do professor universitário Domingos da Cruz - um dos arguidos detidos -, adaptado do livro "From Dictatorship to Democracy", do norte-americano Gene Sharp, inspirador das chamadas "Primaveras Árabes" e publicado originalmente em 1994.

A acusação diz que na origem deste processo esteve uma operação policial desencadeada a 20 de junho de 2015 - depois de uma denúncia sobre as reuniões que realizavam ainda no mês de maio, quando 13 ativistas angolanos foram detidos em Luanda, em flagrante delito, durante a sexta reunião semanal de um curso de formação de ativistas, para promover posteriormente a destituição do atual regime.

O julgamento começou este mês após meses de espera, e ultrapassando todos os prazos - a situação levou Luaty Beirão a uma greve de fome que durou 35 dias.

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