Portugal quer entrar no roteiro de grandes produções de Hollywood

Turismo de Portugal e Instituto do Cinema e do Audiovisual vão oferecer um novo sistema de incentivos que inclui reembolsos de 25% a 30% das despesas de produção

Para filmar os cenários épicos de A Guerra dos Tronos, a HBO andou por toda a Europa ao longo de sete temporadas: da base na Irlanda do Norte à Croácia, de Malta à Islândia. Onde as equipas de filmagens não puseram os pés foi em Portugal, apesar de terem andado por Espanha, a cem quilómetros da fronteira. É isso que o Turismo de Portugal e o Instituto do Cinema e do Audiovisual pretendem mudar, numa nova iniciativa que quer colocar Portugal no roteiro das grandes produções de Hollywood.

"Elegemos o mercado norte-americano como um dos mercados preferenciais e viemos até Los Angeles para reunirmos com os principais estúdios para lhes dar a conhecer Portugal e explicar as razões pelas quais devem ir filmar lá", explica ao DN Maria Mineiro, vice-presidente do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), que esteve em Los Angeles para reuniões com os grandes estúdios e produtoras. A comitiva portuguesa reuniu-se com os responsáveis de Walt Disney, Home Box Office (HBO), Fox, Paramount Pictures, Warner Bros/ /New Line Cinema e Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), tendo ainda participado numa sessão com a Motion Picture Association of America (MPAA) e os seus associados.

Em cima da mesa puseram o novo sistema de incentivos que entra em vigor neste ano e é desenhado para atrair produções internacionais. Trata-se de reembolsos de 25% a 30% das despesas de produção realizadas em território nacional, tanto de cinema como televisão e video on demand. Esta é uma alteração significativa em relação ao incentivo que estava em vigor no ano passado, já que este tinha o formato de um crédito fiscal e se referia apenas a produções cinematográficas. Agora, será um reembolso em dinheiro para produções com despesas mínimas de meio milhão de euros (ou 250 mil euros no caso de documentários), e um limite de quatro milhões de euros, que poderá ser negociado. O reembolso é financiado pelo Turismo de Portugal com coordenação a cargo do ICA.

No entanto, este não é o único argumento da operação de charme de Portugal junto de Hollywood. "As razões são as mais diversas, desde o nosso clima à diversidade de paisagens, à qualidade dos técnicos que trabalham na área do cinema e do audiovisual, aos preços competitivos, e também ao sistema de cash rebate", afirma Maria Mineiro. No prospeto de promoção que está a ser enviado aos estúdios, é frisada a diversidade geográfica do país, com pequenas distâncias entre locais e mais de vinte séculos de história com monumentos intactos, ao contrário de outros países europeus que foram devastados pelas duas grandes guerras. Paz social, qualidade de vida, infraestruturas e custos mais baixos também são apresentados como mais-valias. E aquilo que mais tem interessado aos executivos de Hollywood que estão em contacto com a comitiva portuguesa é a variedade de castelos que existem em Portugal. "Temos um conjunto de aldeias históricas, monumentos e castelos que não são habituais e podemos ter aí uma vantagem", diz Maria Mineiro.

Joana Metrass, atriz portuguesa que reside em Los Angeles e entrou na série Once upon a Time, da ABC, chama a atenção para outra vantagem de Portugal: a média de 300 dias de sol por ano. "Parar uma produção custa muito dinheiro, assim como a pós-produção para corrigir quando é preciso fazer parecer que está sol quando não esteve." A atriz nota que um dos países europeus que mais se têm vendido junto de Hollywood é a Bulgária, onde várias grandes produções têm sido filmadas e onde já há lista de espera. Metrass acredita que Portugal pode beneficiar de ações de promoção que realcem os aspetos únicos do país, nomeadamente a previsibilidade da meteorologia.

Para o ICA e o Turismo de Portugal, os próximos passos são fazer outras ações de promoção ao longo do ano e levar produtores a Portugal. "Temos um programa de scouting e pretendemos que os produtores que estejam interessados em visitar o país possam fazê-lo, nós organizaremos essas viagens para verem com os próprios olhos", adianta Maria Mineiro.

Está a ser ponderado um evento de promoção em Los Angeles, em junho, e a participação no American Film Market & Conferences em Santa Monica, de 31 de outubro a 7 de novembro. Os organismos envolvidos vão também tentar atrair novos estúdios, como Amazon Prime, Hulu e Netflix, que desta vez não estiveram na agenda de reuniões.

Maria Mineiro sabe que vai levar algum tempo a ver resultados, mas sublinha que a intenção é alargar o âmbito de atuação promocional de forma decisiva. O objetivo é ambicioso: "Sermos um dos principais destinos de filmagens e pretendemos também ser o mais competitivo da Europa."

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