"O meu sentido de proteção elevou-se por ter sido mãe"

Nona temporada estreia a 28 de dezembro

A agente especial Kensi Blye regressa na quinta-feira, dia 28, com a nona temporada de Investigação Criminal: Los Angeles. E há novidades: entraram duas novas personagens femininas e afro-americanas, renovando a dinâmica e refletindo o apetite por mais diversidade na televisão.

Falámos com Daniela Ruah em Los Angeles, durante a apresentação de mais uma série de episódios que em Portugal podem ser vistos às quintas-feiras, na Fox, às 23.05.

O que há de novo na nona temporada de Investigação Criminal: Los Angeles?

Há personagens que estão desaparecidas. Sabemos que o Owen Granger já não está connosco [após a morte do ator Miguel Ferrer, em janeiro deste ano]. A Hetti desapareceu em ação e descobrimos que foi raptada no Vietname. Penso que iremos lá a uma certa altura. Temos duas novas personagens: Nia Long interpreta a diretora assistente executiva Shay Mosley e Andrea Bordeaux interpreta a agente especial Harley Hidoko, que vêm para agitar as coisas - em especial a nova diretora, que vem ocupar o cargo do Granger. Ela não gosta da forma pouco ortodoxa como fazemos as coisas, começa a separar os grupos, envia o Deeks de volta para a LAPD durante um período. Está a mexer num sistema que funciona bem para toda a gente, por isso não gostamos dela. Está a causar distúrbios no grupo, algo que é preciso fazer após nove anos, para o manter interessante. As minhas gravidezes já não chegam.

Como será a relação entre a Kensi e o Deeks, depois de ela o pedir em casamento?

Eu não esperava que fosse ela a pedi-lo em casamento. Achei fantástico, muito moderno. Mesmo na cena, o Deeks diz que ele é que deve pedir e ela responde: "Bem-vindo a 2017, é o que fazemos agora." Até agora não tivemos casamento nenhum. Estão é a falar de filhos e de como isso se encaixaria nas suas vidas perigosas e como é um ponto de tensão para eles. A Kensi não está preparada para deixar este emprego. O Deeks está mais preparado do que ela para começar uma família.

Até que ponto vive com a sua personagem, Kensi, quando vai para casa, depois de tantos anos?

Há coisas que se sobrepõem, seria impossível que não acontecesse. Quando se é selecionada para um papel que vamos fazer durante anos, se alguém é completamente diferente, a não ser que se seja um ator fantástico de personagens como o Daniel Day-Lewis, é quase impossível não haver sobreposição. E mesmo o que ele faz seria impossível de manter por tanto tempo. Lembro-me de que, quando fui escolhida para este papel, o Shane Brennan, que me escolheu, disse que eu tinha algo de internacional em mim que eles queriam para esta personagem. Porque ela era uma miúda da Marinha, viveu por todo o mundo, fala várias línguas. Isso foi algo que consegui trazer para este papel. Não sou tão defensiva quanto ela, que vive num mundo de homens - não por causa dos colegas, mas porque os vilões tendem a ser homens e ela tem de se afirmar na sala de interrogatório ou quando está a lutar com alguém. Isso não é o meu caso. Nunca passei por nada do que ela passou, mas penso que, agora que sou mãe, isso trouxe-me uma força diferente. O meu sentido de proteção elevou-se por ter sido mãe, não por interpretar esta personagem há tanto tempo. Perguntaram-me o que faria num tiroteio na vida real, algo que se tornou frequente nos últimos dois anos. O treino na série não ajudaria a tomar uma decisão, de todo, mas ter sido mãe tornou-me muito mais consciente de tudo o que me rodeia, muito mais do que interpretar este papel.

Quando vê notícias sobre tiroteios, o facto de estar na série não lhe dá uma outra perspetiva?

Nem por isso. Não dá para comparar o que fazemos na vida real com uma agência específica. Conheci muitos agentes verdadeiros do NCIS [Naval Criminal Investigative Service] que me disseram que em 25 anos de carreira nunca tiveram de sacar da arma. Nós matamos vilões em todos os episódios. É uma suspensão da descrença, é televisão. É entretenimento. Não sou fã de armas, mas tornei-me um pouco insensível a elas, porque tenho de andar com uma todos os dias no bolso de trás das calças e sei quanto pesam, o barulho que fazem ao disparar. Mas, se estivermos numa situação da vida real, ninguém sabe o que vai fazer. Onde estão os meus filhos, se algo me acontecer quem os vai criar? Coisas diferentes iriam passar-me pela cabeça. Tendo a ficar calma em más situações.

No entanto, há uma componente de boa forma física que tem de ter. Não se sente mais preparada?

Não. As coisas que sabemos são tão superficiais em comparação com aquilo com que os agentes reais lidam. É tudo para inglês ver. Mas é bom que pareça real. Temos um conselheiro técnico na série, um ex-agente NCIS, mas não passamos pelo treino que eles fazem. É mais: como é que fingimos nesta cena? Talvez eu hoje seja mais responsável, depois de nove anos na série, do que seria se nunca tivesse vivido isto.

Como mantém a personagem atrativa para si própria?

Duas gravidezes permitiram duas excelentes histórias, uma no Afeganistão e outra na Síria. Neste ano, o Scott Gemmill, o showrunner, enviou-nos um e-mail a perguntar se havia qualquer coisa que queríamos que as nossas personagens vivessem. A minha personagem, em nove anos, passou por tanta coisa. Já fui a sexy, a durona, a que caiu na sarjeta, a que recuperou, que esteve paralisada, que teve acidentes. O que é que ela ainda não fez? Neste momento, fisicamente e como agente, já a vimos passar por tudo. Teria de ser mais coisas a um nível pessoal, qual é o desenvolvimento da sua relação com o Deeks, têm filhos? Como é que as suas vidas serão se isso acontecer. É interessante porque se vê o crescimento. Fiz 25 anos já a gravar esta série e agora vou fazer 34. Tive dois filhos, casei-me, comprei a minha primeira casa, vendi-a, comprei a segunda. A vida acontece e precisamos de ver isto também nestas personagens. A maturidade e as decisões que vêm com o amadurecimento.

Há duas novas personagens femininas, que trazem uma nova dinâmica. É um reflexo da conversa que estamos a ter em Hollywood sobre diversidade?

Estou contente por termos mais mulheres na série. De cada vez que alguém novo chega, não interessa o género ou raça, vai sempre mudar a forma como as coisas funcionam e a energia. Seria esquisito se não acontecesse. Gosto dessa conversa. Estou contente por estarmos a trazer mais diversidade. É o mundo em que vivemos, é o país em que vivemos, um país diverso, em termos de religiões, raças, misturas, inter-religião, e temos de refletir isso. Há tantos atores fantásticos de todos os tamanhos e cores, e o facto de não terem sido escolhidos por não serem brancos, porque isso se tornou a norma, é ridículo. Há tanto talento.

Costuma ver outras séries policiais?

Antes tinha mais tempo e via mais. É interessante, porque temos tantas séries assim na televisão, é algo de que a audiência gosta. Estou sempre interessada em perceber em que é que somos diferentes dos outros. A nossa série destaca-se não só pela ação e os heróis, mas pela quantidade de comédia, é muito engraçada, e o drama em que estas personagens se veem envolvidas. Temos muitos fãs nas diferentes agências.

Tem recebido feedback deles?

Não é só feedback. Dá para ver pelas pessoas que nos seguem nas redes sociais e que tendem a responder. Temos muitos seguidores na América profunda, no Sul, sítios com muitas famílias militares. Temos de ser o mais fiéis possível a certas situações, embora seja entretenimento. Quando a Kensi ficou paralisada, por exemplo: muitas pessoas são feridas em combate como ela e não queríamos ridicularizar essa situação, passar por ela demasiado depressa. Eles arrastaram isso durante meia temporada, o que foi maravilhoso porque me deu tempo para recuperar física e espiritualmente, eles tocaram em tantos pontos da recuperação que não foram só físicos. E a dificuldade que é, quando se é uma pessoa forte, de repente estar debilitada. A dificuldade que é pedir ajuda. É tão difícil pedir ajuda. Foi a maior lição que aprendi. Falei com um veterano que ficou ferido. Estávamos num concessionário e ele disse que vê a série e que a minha trajetória o ajudou. Fiquei contente, porque não queremos ofender as pessoas que estão a passar por isso na vida real.

Qual é a duração possível de uma série como esta?

Não há muitas séries que ultrapassam 6/7 anos. Se um de nós quiser ir embora, não quer dizer que a série não continue. O Michael Weatherly e a Cote de Pablo saíram da Investigação Criminal e agora eles têm o Wilmer, a Emily, a Maria Bello. Estão a renovar a série com outras personagens. A duração das séries é diferente da duração dos atores. Uma série pode continuar sem os atores principais, o que é bom para nós, porque significa que somos substituíveis.

Tem algum outro projeto em vista?

Tenho coisas de que ainda não posso falar.

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