Morreu o realizador Alberto Seixas Santos

Seixas Santos tinha 80 anos. Velório realiza-se domingom no Teatro Thalia, em Lisboa

O cineasta Alberto Seixas Santos morreu este sábado aos 80 anos. O realizador de Brandos Costumes, uma das obras mais emblemáticas do Cinema Novo português, estava doente há um ano. A morte de Seixas Santos foi confirmada à Lusa pela realizadora Margarida Gil.

A mesma fonte acrescentou que o velório se irá realizar domingo a partir das 17:00 no Teatro Thalia, estrada das Laranjeiras, sendo depois o corpo cremado na segunda-feira, às 16:00, no Cemitério dos Olivais, em Lisboa.

Nome fulcral na história do cinema português do último meio século, Alberto Seixas Santos foi autor de uma obra apostada em questionar as convulsões do século XX. Nascido a 20 de março de 1936, em Lisboa, foi um dos fundadores do Centro Português de Cinema e apresentou em competição no Festival de Berlim de 1975 a sua primeira longa-metragem, Brandos Costumes, filmada a partir de um argumento escrito em parceria com os escritores Luísa Neto Jorge e Nuno Júdice e que traçava um paralelo entre o quotidiano de uma família da média burguesia e o trajeto do regime emanado do golpe militar de 28 de Maio de 1926.

Estudou história e filosofia na Universidade de Lisboa e cinema em Paris, no Institut de Filmologie da Sorbonne, e em Londres, na London School of Film Technique. Foi dirigente e animador do ABC, o Cineclube de Lisboa, e destacou-se na intervenção crítica, ao colaborar, por exemplo, nas revistas Imagem, Seara Nova e o O Tempo e o Modo.

Depois do 25 de abril, Seixas Santos participou em vários filmes coletivos e foi um dos realizadores de As Armas e o Povo, que contava a primeira semana da Revolução dos Cravos. Em Gestos e Fragmentos, que realiza entre 1980 e 1982, quis abordar a relação entre os militares e o poder em Portugal.

Foi docente na Escola Superior de Teatro e Cinema e a partir da década de 80 assume vários cargos na RTP, onde chegou a diretor de programas. Na década de 90, realiza Paraíso Perdido e Mal. A sua última longa-metragem, E o Tempo Passa, é de 2011.

Em março de 2016, a Cinemateca dedicou-lhe uma retrospetiva.

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