Conta falsa de Twitter de ministra francesa anuncia morte da Nobel Svetlana Alexievitch

A editora Elsinore, que edita algumas das obras da escritora em Portugal, confirma que a escritora está em Seul, na Coreia de Sul, e se encontra bem

Uma conta falsa em nome da ministra da Cultura francesa, Françoise Nyssen, anunciou no Twitter a morte da escritora e jornalista bielorrussa Svetlana Alexievitch, que venceu o Nobel da Literatura em 2015. A notícia foi avançada pelo jornal francês Le Figaro, com base na mensagem, e noticiada também pelo DN, mas a fonte é uma página falsa - a própria conta afirma-se agora como um embuste criado por um jornalista italiano.

O DN contactou a Elsinore, que edita algumas das obras da escritora em Portugal, e que confirma que a escritora está em Seul, na Coreia de Sul, e se encontra bem.

A correspondente da AFP em Moscovo garante entretanto ter falado com a escritora após a notícia ter sido partilhada no Twitter.

Alexievich nasceu em 1948 na cidade ucraniana de Ivano-Frankovsk, filha de funcionários públicos. O pai era bielorrusso e a mãe ucraniana. Foi a 14.ª mulher a receber este Nobel. A obra de estreia da escritora, A guerra não tem rosto de mulher, chegou às livrarias portuguesas no ano passado. O fim do homem soviético e Vozes de Chernobyl também estão editados em português.

Italiano assina embuste

"Esta conta é um embuste criado pelo jornalista italiano Tommasso Debenedetti". Foi com esta frase que se identificou o alegado autor do falso anúncio da morte da Nobel. Debenedetti é um nome conhecido há cerca de cinco anos, precisamente por ter falseado no Twitter os anúncios da morte de vários líderes mundiais, nomeadamente de Fidel Castro, do Papa Bento VXI ou até do cineasta Pedro Almodóvar.

O italiano diz ser movido pela vontade de demonstrar como as redes sociais, nomeadamente o Twitter, podem ser problemáticas se usadas como fontes de notícias. Na rede de microblogging, e de acordo com o The Guardian - que fez um perfil de Debenedetti em 2012, depois de falar com ele em Roma - já fingiu ser Hamid Karzai, que era então presidente do Afeganistão, Bashar al-Assad, o presidente sírio, ou mesmo um ministro espanhol.

Antes de se dedicar a enganar a audiência nas redes sociais, Tommasso Debenedetti conseguiu ludibriar vários jornais italianos, publicando entrevistas falsas com vários escritores, sobretudo norte-americanos, nomeadamente Arthur Miller, Gore Vidal, Toni Morrison ou Philip Roth. Foi descoberto quando um jornalista usou alegadas declarações de Roth feitas em entrevista ao jornal italiano Libero para confrontar o escritor. Roth negou ter alguma vez falado àquele jornal e só então Debenedetti veio anunciar que enviava aos editores conversas que nunca tinham existido para avaliar as "vulnerabilidades" dos media italianos.

Nota: O DN avançou a morte da Nobel tendo como fonte o jornal francês de referência Le Figaro, tendo mantido a notícia em atualização e procurado de imediato confirmá-la junto da editora portuguesa. Corrigimos logo a informação e pedimos desculpa aos nossos leitores

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