"A Morte de Estaline" proibida na Rússia

O filme do britânico Armando Iannucci, que deveria estrear na Rússia com uma classificação de interdito a menores de 18 anos, relata de forma burlesca os conflitos entre o círculo próximo de Estaline após a sua morte, em maio de 1953.

O Ministério da Cultura da Rússia anulou hoje, dois dias antes da data prevista, a licença para a exibição nos cinemas da comédia franco-britânica "A Morte de Estaline", considerada ofensiva e "extremista" por cineastas e responsáveis políticos russos.

"A licença de distribuição do filme 'A Morte de Estaline' foi retirada", anunciou um porta-voz do departamento de cinema do ministério.

Cineastas, deputados e figuras políticas russas que visionaram o filme na segunda-feira numa sessão organizada no Ministério da Cultura, assinaram uma petição dirigida ao ministro Vladimir Medinski onde pediram a proibição da distribuição da comédia que "ofende símbolos nacionais russos".

"Solicitamos que efetue uma avaliação jurídica suplementar e que até lá suspenda a licença de distribuição do filme", refere o texto subscrito por 20 personalidades russas, incluindo o cineasta Nikita Mikhalkov e Era Jukova, filha do general russo Gueorgui Jukov.

O ministro da Cultura considerou que o filme poderia ser entendido como "um insulto face ao passado soviético, o país que venceu o fascismo, ao exército soviético e às pessoas comuns, e mesmo às vítimas do estalinismo"

A anulação da exibição do filme não significa um ato de "censura", afirmou aos jornalistas russos.

A data de estreia do filme também foi criticada, apenas uma semana antes das celebrações do 75.º aniversário da decisiva vitória do exército soviético em Estalinegrado (atual cidade de Volgogrado) contra a Alemanha nazi.

Para os signatários da petição, difundida na página digital do Ministério, este filme "extremista" é uma "bofetada na cara dos que morreram e dos que sobreviveram" na batalha de Estalinegrado.

"Não apenas Estaline mas todos os seus marechais, e mesmo Jukov, são apresentados como horríveis idiotas, quando foram eles que ganharam a guerra", referiu à agência noticiosa France Presse (AFP), Pavel Pojigaïlo, membro do conselho consultivo do Ministério da Cultura e um dos signatários.

"Filmes deste género não devem simplesmente chegar à Rússia e os que compram filmes parecidos não deviam trabalhar no nosso país", considerou outro signatário, o cineasta Nikita Mikhalkov, que realizou o filme sobre o estalinismo "Sol Enganador", Grande prémio do Festival de Cannes em 1994 e o Óscar do melhor filme estrangeiro em 1995.

As sondagens revelam que Estaline - que liderou o país entre 1924 e 1953 e responsabilizado por milhões de mortes, incluindo entre a liderança comunista soviética -, permanece venerado na Rússia, com parte considerável da população a associá-lo à vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazi na II Guerra Mundial, e ter tornado o país numa superpotência nuclear.

O Presidente Vladimir Putin, um antigo oficial do KGB, tem adotado uma atitude cautelosa face a Estaline, denunciando as purgas mas em simultâneo enfatizando as conquistas da era soviética.

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