"Há várias Autoeuropas no País. Temos de criar cadeia de valor em torno delas"

Numa parceria entre a Nova School of Business and Economics e a Spira, com o apoio da Fundação Millennium bcp, o estudo "Património Cultural em Portugal: Avaliação do Valor Económico e Social" quer fazer um retrato do património construído exigente e apontar o seu potencial para gerar riqueza e emprego a nível local

Fazer uma avaliação do valor económico e social do sector patrimonial em Portugal para perceber como este ativo pode ser utilizado como âncora de desenvolvimento económico e social a nível regional é um dos grandes objetivos do estudo "Património Cultural em Portugal: Avaliação do Valor Económico e Social", hoje apresentado. Nesse sentido, a empresa Spira, da área da revitalização e valorixzação patrimonial, estabeleceu uma parceria com a Nova School of Business and Economics a que se juntou também o Observatório do Patrimimónio.

"Há várias Autoeuropas espalhadas pelo país. Temos de criar cadeia de valor em torno delas", defendeu a diretora-geral da Spira, referindo-se a alguns exemplos de património classificado que podem servir como motores de desenvolvimento a nível regional até porque, uma das primeiras conclusões a que o estudo, inicado há quatro meses, já chegou é que o património classificado é um bem que se distribui harmoniosamente por todo o país.

O ponto de partida para a análise económico-social é o universo de cerca de 4500 imóveis classificados e assenta num inquérito a realizar de forma personalizada, junto de cada um dos 308 concelhos, para identificar os bens mais valorizados localmente que tenham portas abertas, empregos associados e receitas diretas. Um método que irá permitir quantificar o número de visitantes potenciais em cada concelho, empregos e receitas que poderiam ser geradas, em comparação com a realidade.

Outro dos coordenadores do trabalho, José Maria Lobo de Carvalho, do Observatório do Património, disse que "as visitas a alguns monumentos revelam uma taxa de crescimento superior à taxa de crescimento do turismo", e um dos monumentos citados foi o Castelo de S. Jorge, em Lisboa.

O estudo vai analisar, paralelamente, casos concretos, nomeadamente, a nível nacional, os Parques de Sintra-Monte da Lua, as Fortalezas de Elvas, a Rota do Românico, Belmonte, na Beira Baixa, Óbidos, na Estremadura, a Rede de Museus da Baleação, na Ilha do Pico, a ilha da Madeira e a Fortaleza de Sagres, no Algarve.

No final do ano, quando for apresentado, incluirá também comparação com outros modelos de gestão de referência a nível internaciona, como o National Trust britânico ou o fracês Culturespaces.

Outra vertente do estudo é a caracterização do sistema de gestão patrimonial de Portugal que, nos útlimos 40 anos "baralhou e voltou a dar", como referiu José Tavares da Nova SBE. Uma ilação tirada após uma sumária apresentação de José Maria Lobo de Carvalho, do Observatório do Património. Que mostrou como a atual Direção-Geral do Património é um regresso à mesma Direção-geral criada em 1974 e que após várias organizações do sector, em 2012 se voltou a esse organismo.

No final, com todos os dados recolhidos, o estudo pretende ainda fazer recomendações estratégicas para o sector num horizonte temporal de dez anos. Porque, como referiu Catarina Valença Gonçalves, essa é uma ferramenta que a generalidade dos países europeus possuem e que até Marrocos tem. Mas Portugal não.

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