Fortaleza de Peniche encerra aos visitantes a 20 de novembro para entrar em obras

A Fortaleza de Peniche, onde o Governo vai criar um museu dedicado à resistência à Ditadura, vai encerrar aos visitantes a partir de 20 de novembro devido a obras, anunciou a Câmara Municipal.

O município informou que deliberou, na reunião do executivo municipal de 06 de novembro, "encerrar à visitação turística o espaço da Fortaleza de Peniche, incluindo o Museu Municipal, a partir do dia 20 de novembro, de modo a preparar o imóvel para as referidas obras de beneficiação com vista à instalação do futuro museu".

Em 08 de novembro, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) reafirmou a intenção de lançar o concurso público para o projeto até ao final do ano e adiantou já ter lançado outro, no valor de 900 mil euros, para requalificar a cobertura exterior dos edifícios do forte, muito degradada pela proximidade do mar.

Em abril, o Governo aprovou em Conselho de Ministros um plano de recuperação da Fortaleza de Peniche (distrito de Leiria) para instalar na antiga prisão do Estado Novo um museu nacional dedicado à luta pela liberdade e pela democracia, investimento que ascende a 3,5 milhões de euros.

Em setembro, os ministérios das Finanças e da Cultura determinaram transferir a Fortaleza de Peniche para a DGPC.

"A Fortaleza de Peniche vê assim reconhecido o seu papel enquanto símbolo de resistência, de luta pela liberdade, de solidariedade e de cultura, transmitindo às novas gerações os valores da democracia, estando indissociavelmente ligada à memória de todos aqueles que lutaram heroicamente contra a repressão do Estado Novo", sublinha o Governo numa portaria publicada.

Em setembro de 2016, a Fortaleza de Peniche foi integrada pelo Governo na lista de monumentos históricos a concessionar a privados, no âmbito do programa Revive, mas passados dois meses foi retirada pela polémica suscitada.

Em abril deste ano, a Assembleia da República defendeu em plenário, da esquerda à direita, a requalificação da Fortaleza de Peniche e a preservação da sua memória histórica enquanto ex-prisão política da Ditadura.

A fortaleza, classificada como Monumento Nacional desde 1938, foi uma das prisões do Estado Novo de onde se conseguiu evadir, entre outros, o histórico secretário-geral do PCP Álvaro Cunhal, em 1960, protagonizando um dos episódios mais marcantes do combate ao regime ditatorial.

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