Fernão Mendes Pinto agora com música

PEREGRINAÇÃO João Botelho

Como se prova, para além do piedoso determinismo de muitas ficções televisivas, há outras maneiras, intelectualmente mais criativas e estimulantes, de pensar a história de Portugal. João Botelho continua a fazê-lo através de uma laboriosa e obsessiva relação com o nosso património literário.

Depois de Os Maias (2015), segundo Eça de Queirós, propõe-nos um inesperado espetáculo musical ancorado na Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto. E musical porque a narrativa fragmentária das proezas do herói no século XVI surge pontuada pelas canções de Por Este Rio Acima (1982), de Fausto, agora recriadas por Luís Bragança Gil e Daniel Bernardes.

O resultado é um fresco histórico em que contemplamos o misto de grandiosidade e irrisão de que somos feitos - realismo contemporâneo, enfim.

Classificação:**** muito bom

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Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...