Doação ao Museu de Arte Antiga "é grande acontecimento"

O galerista Philippe Mendes fez uma doação ao museu da Coroação da Virgem, de Barros Laborão, e irá oferecer também um quadro de Alexandre Raulin ao Museu da Cidade, em Lisboa

O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), António Filipe Pimentel, considerou "um grande acontecimento" a doação de uma escultura do século XVIII, do mestre Barros Laborão, à instituição, em Lisboa.

Contactado pela agência Lusa, o diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) disse que a doação do galerista Philippe Mendes, da escultura Coroação da Virgem, de Barros Laborão, "permite ao museu entrar na posse de uma obra que muito ambicionava".

A doação decorre no âmbito das iniciativas da associação Luso Património, criada pelo galerista, destinada à proteção, valorização e exposição da arte portuguesa em França e na Europa.

A peça criada por Joaquim José de Barros Laborão, autor, entre outras, das estátuas do vestíbulo do Palácio da Ajuda, será doada ao MNAA, segundo Philippe Mendes, depois de ser exibida na Feira de Arte e Antiguidades, que é inaugurada na sexta-feira e decorrerá até 15 de maio, na Cordoaria Nacional, em Lisboa.

De acordo com António Filipe Pimentel, a Coroação da Virgem "irá ser exposta quando da reabertura, que se antevê próxima, da Capela das Albertas", encerrada há uma década, e que constitui o próximo grande projeto da instituição, segundo o responsável.

O diretor do MNAA aplaudiu a iniciativa do colecionador, que possui uma galeria de arte antiga em Paris, e sublinhou a mobilização ativa de mecenas, "pelo papel que representa no reforço da 'marca Portugal', que tanto importa à afirmação dos portugueses no mundo".

Philippe Mendes, galerista de origem portuguesa radicado em Paris, que ficou conhecido em Portugal por ter doado uma pintura de Josefa de Óbidos ao Museu do Louvre, revelou na quinta-feira à Lusa que também vai oferecer ao Museu da Cidade um quadro de Alexandre Raulin, de 1847, que representa uma visão do interior do claustro do Mosteiro dos Jerónimos.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)