Convento de Santa Clara a Nova vai ser hotel

Uma parte do edifício do Convento de Santa Clara a Nova, em Coimbra, vai ser convertida em hotel.

O Convento de Santa Clara a Nova é dos equipamentos portugueses que será requalificado, transformando uma parte, vazia e até há pouco tempo nas mãos do Exército, em hotel.

O projeto, semelhante aos que já foram apresentados para o claustro do rachadouro do Mosteiro de Alcobaça, para o Convento de São Paulo, em Elvas e para a Quinta da Mitra, em Évora, será conhecido em breve.

"O projeto do Mosteiro de Alcobaça já estava em marcha quando cheguei, mas há uma coisa importante dizer: estamos a falar do claustro do rachadouro. Era desde sempre um sítio onde funcionou um asilo e que sofreu profundas transformações. Está muito descaracterizado e vazio. É uma área que estava, no fundo, abandonada. Foi essa área que foi a concurso público internacional [ganho pela Visabeira] e que consideramos que pode ser importante do ponto de vista patrimonial para o próprio mosteiro. É preciso não confundir com as áreas nobres do Mosteiro. Aliás, o claustro do rachadouro passará a ser de visitação pública", explica Paula Araújo da Silva, diretora-geral do Património Cultural, em entrevista ao DN, em vésperas do arranque das Jornadas Europeias do Património.

A diretora do Património Cultural, organização que tutela 23 monumentos, palácios e museus, sublinha que "a utilização para unidades hoteleiras teve um momento extremamente interessante com as pousadas Enatur, que é referido internacionalmente como um grande exemplo de ocupação de espaços que deixaram de ter utilização". E, frisa, em Portugal são muitos mosteiros e conventos, "porque houve a extinção das obras religiosas, em 1834. Aos projetos dos anos 50 e 60, Paula Araújo da Silva junta os que se foram fazendo a partir dos anos 80 e que chamaram arquitetos como Fernando Távora, Carrilho da Graça, Gonçalo Byrne ou Souto Moura.

"O património tem de ser vivido", defende a diretora-geral, no cargo desde janeiro deste ano. "É uma continuação desse espírito e dessa possibilidade de ocupar com outras funções". E acrescenta: "Nem tudo pode ser equipamento cultural".

Para Paula Araújo da Silva o que é importate é existir uma "hierarquização". "Os Jerónimos não vão ser pousada, seguramente".

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