Cineasta alemão Wim Wenders recebe hoje Prémio Europeu Helena Vaz da Silva

O cineasta alemão Wim Wenders, que realizou, entre outros, os filmes "Lisbon Story" e "Paris, Texas", recebe hoje, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural/2017.

O cineasta alemão foi "distinguido pelo seu contributo excecional para a comunicação da história multicultural da Europa e dos ideais europeus", segundo comunicado do Centro Nacional de Cultura (CNC), que promove o galardão, difundida em junho último, quando foi conhecido o laureado.

A presidente do CNC, Maria Calado, em nome do júri, realçou que Wim Wenders é "uma figura chave do cinema contemporâneo europeu" e "um defensor acérrimo da Europa através do seu rico património cultural".

"Ao longo de 50 anos de carreira, ele tem sido um mestre na procura de imagens e palavras para capturar o sentido de lugar na Europa. O júri apreciou em particular a forma original como Wenders consegue dar vida aos valores e ideais europeus e promovê-los além-fronteiras, através do seu trabalho prolífico, que abrange filmes inovadores, exposições fotográficas, monografias, livros de filmes e coleções de prosa".

Nesta quinta edição do galardão, o júri, "composto por especialistas independentes nos campos da cultura, património e comunicação de vários países europeus", decidiu "conceder um reconhecimento especial" à eurodeputada Silvia Costa, do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas.

A italiana Silvia Costa é distinguida "pelo seu contributo notável para o desenvolvimento da estratégia da União Europeia sobre o património cultural, e para a promoção do Ano Europeu do Património Cultural 2018".

Sobre a eurodeputada italiana, Maria Calado referiu que "tem defendido vigorosamente que o património cultural é uma grande mais-valia para as instituições da União Europeia e para os Estados-Membros e tem promovido o reconhecimento do seu valor social e económico a nível europeu".

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva foi instituído em 2013 pelo CNC, em cooperação com a organização não-governamental Europa Nostra, que o CNC representa em Portugal, e o Clube Português de Imprensa, e visa distinguir contribuições excecionais para a proteção e divulgação do património cultural e dos ideais europeus.

O escritor italiano Claudio Magris foi o primeiro laureado com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, em 2013, e, em 2014, foi o escritor turco Orhan Pamuk, que recebeu o Nobel da Literatura em 2006. Em 2015 foi galardoado o músico espanhol Jordi Savall e, no ano passado, em ex-aequo, o cartoonista francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o ensaísta português Eduardo Lourenço.

O galardão é entregue hoje, às 18:30, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, numa cerimónia, que conta com o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes.

Ler mais

Exclusivos

Opinião

DN+ João

Os floristas da Rua da Alegria, no Porto, receberam uma encomenda de cravos vermelhos para o dia seguinte e não havia cravos vermelhos. Pediram para que lhes enviassem alguns do Montijo, onde havia 20, de maneira a estarem no Porto no dia 18 de julho. Assim foi, chegaram no dia marcado. A pessoa que os encomendou foi buscá-los pela manhã. Ela queria-os todos soltos, para que pudessem, assim livres, passar de mão em mão. Quando foi buscar os cravos, os floristas da Rua da Alegria perguntaram-lhe algo parecido com isto: "Desculpe a pergunta, estes cravos são para o funeral do Dr. João Semedo?" A mulher anuiu. Os floristas da Rua da Alegria não aceitaram um cêntimo pelos cravos, os últimos que encontraram, e que tinham mandado vir no dia anterior do Montijo. Nem pensar. Os cravos eram para o Dr. João Semedo e eles queriam oferecê-los, não havia discussão possível. Os cravos que alguns e algumas de nós levámos na mão eram a prenda dos floristas da Rua da Alegria.

Opinião

DN+ Quem defende o mar português?

Já Pascal notava que através do "divertimento" (divertissement) os indivíduos deixam-se mergulhar no torpor da futilidade agitada, afastando-se da dura meditação sobre a nossa condição finita e mortal. Com os povos acontece o mesmo. Se a história do presente tiver alguém que a queira e possa escrever no futuro, este pobre país - expropriado de alavancas económicas fundamentais e com escassa capacidade de controlar o seu destino coletivo - transformou 2018 numa espécie de ano do "triunfo dos porcos". São incontáveis as criaturas de mérito duvidoso que através do futebol, ou dos casos de polícia envolvendo tribalismo motorizado ou corrupção de alto nível, ocupam a agenda pública, transformando-se nos sátiros da nossa incapacidade de pensar o que é essencial.