Ary dos Santos canta-se aqui no DN. Veja e oiça agora

Joaquim Lourenço interpreta canções do poeta em direto da redação do DN

"O que é verdade é que um povo analfabeto andou a cantar canções de fino recorte literário. Isto é a razão de eu ainda aqui estar", diz Joaquim Lourenço. O músico, que desde 2009 percorre o país a cantar as canções de Ary dos Santos no espetáculo que agora deu origem ao disco Ary, o Poeta das Canções - Joaquim Lourenço Canta Ary dos Santos, referia-se ao ano de 1969. Foi aí que Simone de Oliveira levou Desfolhada, com música de Nuno Nazareth Fernandes e letra de Ary dos Santos ao Festival da Canção. "Nessa altura metade da população era analfabeta, 40 e tal por cento. Você acredita que gente analfabeta andava a tomar banho ou a lavar a loiça e a cantar Corpo de linho/ Lábios de mosto/ Meu corpo lindo/ Meu fogo posto/ Eira de milho/ Luar de Agosto/ Quem faz um filho/ Fá-lo por gosto?"

Quando regressou de Nova Iorque, onde durante algum tempo trabalhou no teatro Off-Broadway, Joaquim resolveu fazer, para aquilo que resultaria no espetáculo Álbum de Recordações, um levantamento dos autores dos clássicos do século XX. E havia um nome que se repetia, conta ao DN: José Carlos Ary dos Santos. Como muitos, as recordações que dele tinha mostram-no a dizer poesia daquela maneira que ele tinha, visceral, ninguém ficava imune.

"As pessoas lembram-se das canções todas e associam-nas aos intérpretes. A maioria não sabia que Os Putos ou Lisboa Menina e Moça são do Ary." Quando canta as músicas de Ary - e fá-lo de uma forma nova, introduzindo diferentes arranjos, por vezes de jazz (conta que em Canção de Madrugar até há qualquer coisa de Bach) - "toda a gente canta. Eu podia ir-me embora à segunda canção."

Ary, O Poeta das Canções é o álbum que o cantor vem apresentar aos leitores do DN esta quinta-feira, no mesmo dia em que Ary dos Santos faria 80 anos. Para ver e ouvir aqui, em www.dn.pt.

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