António Casalinho, a mais nova estrela do ballet português

Tem 12 anos e venceu pelo segundo ano consecutivo o Youth America GrandPrix. Próxima paragem: Royal Ballet de Londres.

Os pais foram buscá-lo ao aeroporto às 8.30 da manhã. Chegou ontem de Nova Iorque, após 10 dias de dedicação à dança. Faz 13 anos no dia 14 de junho. Não joga Minecraft ou outros jogos. Faz ballet, de segunda a sábado e, diz o pai, Luís Casalinho. Aos domingos também, "quando há espetáculos e é preciso ensaiar". "Só é possível evoluir com trabalho, trabalho e mais trabalho", afirma Fernando Rodrigues Fernandes, marido da professora Anarella, a bailarina que dá nome à escola de ballet onde António Casalinho está a aprender. Há motivos para acreditar que o esforço, esses sábados a dançar das 09.00 às 21.00, estão a compensar.

António Casalinho volta a Leiria com o prémio de melhor bailarino do Young America Grand Prix (YAGP), um concurso de bailarinos que se disputa em várias fases e teve a grande final, em Nova Iorque, na sexta-feira. Ganhou na categoria Junior (12-14 anos), repetindo a proeza conseguida há um ano no escalão para crianças entre os 9 e os 11 anos. "Estava um pouco nervoso. Desta vez estava no escalão acima e a concorrência era maior", afirma. Tem uma certeza: "Quero ser bailarino".

"Ele é uma criança normal que quando sai da escola vai dançar ballet", considera o pai, Luís, que atende o telefone ao DN ao início da tarde de ontem. A mesma pessoa que afirma: "Já me começo a convencer que há aqui qualquer coisa de extraordinário".

António dança desde os 8 anos e meio. O ballet começou por ser uma atividade extracurricular porque andava sempre "aos saltos", conta o pai, professor de música e clarinetista. Diz que é o primeiro para quem é normal estudar quatro ou cinco horas um instrumento, como faz o filho na dança. "Por muito jeito que se tenha nada acontece sem trabalhar". António repete o mantra. "Tenho de trabalhar imenso, não posso ficar orgulhoso nem convencido", diz.

E antes que se pense que o ballet faz mossa na carreira académica, o pai dá os dados." No primeiro período foi o melhor aluno do 7.º ano da escola e o melhor ex-aequo com outra aluna de ballet no segundo período. A carga horária que têm faz com que se obriguem a ser mais organizados".

A escola Afonso Lopes Vieira é lembrada por Luís Casalinho e Fernando Fernandes. "Não são possíveis estes resultados com aulas até às 18.30". Têm uma turma quase feita para eles, só com aulas de manhã quase todos os dias", diz Fernandes. "E compensamos as aulas em falta", acrescenta António ao DN. Os testes da semana passada, já sabe, serão feitos em outras aulas. Dentro de uma semana, estará de novo fora. A caminho de uma semana de aulas no Royal Ballet, em Londres.

António Casalinho é um dos poucos que tem um compromisso com a companhia de ballet londrina e que anualmente se apresenta na escola para, durante sete dias, aprender e ser avaliado. "Integra a escola como um aluno", diz o pai. Fernando Rodrigues Fernandes explica os detalhes: "Temos um contrato entre nós, o Royal Ballet e os pais do António. Ele tem de ficar na escola Anarella até aos 17 anos, com o acompanhamento do Royal Ballet. É difícil encontrar o que temos aqui: a atenção dos pais e uma escola boa".

O que se passa entre a escola, a companhia britânica e António Casalinho é um acompanhamento. E, se tudo correr como previsto, António sairá de Leiria para Covent Garden, em Londres, onde outro português, Marcelino Sambé, dá cartas, e onde Carlos Acosta, a grande referência de António Casalinho, é primeiro bailarino.

Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Pedro Lains

O Banco de Portugal está preso a uma história que tem de reconhecer para mudar

Tem custado ao Banco de Portugal adaptar-se ao quadro institucional decorrente da criação do euro. A melhor prova disso é a fraca capacidade de intervir no ordenamento do sistema bancário nacional. As necessárias decisões acontecem quase sempre tarde, de forma pouco consistente e com escasso escrutínio público. Como se pode alterar esta situação, dentro dos limites impostos pelas regras da zona euro, em que os bancos centrais nacionais respondem sobretudo ao BCE? A resposta é difícil, mas ajuda compreender e reconhecer melhor o problema.