Indiejúnior: mergulho no mundo da imagem para as crianças

A secção dedicada aos mais novos está recheada de inventivos olhares nacionais e internacionais. Oficinas de ilustração e construção de fantoches completam programação.

Chama-se Violeta, só com um t. Sim, não é a estrela da Disney. O IndieLisboa também tem personagens especiais, e esta é uma menina que está sempre a desdenhar o seu reflexo no espelho. Certo dia, quando está toda arranjadinha para ir a um baile da escola, é o próprio reflexo que, já sem paciência, tem a última palavra... Esta curta--metragem do irlandês Maurice Joyce conta-se entre as várias e sugestivas opções do Indiejúnior, uma secção dedicada à pedagogia estética e cultural, levando os mais novos numa estimulante viagem, em que se apuram não só os sentidos como a consciência.

Filmes para todas as idades

Inserido numa seleção de filmes indicados para maiores de 10 anos, Violeta faz-se acompanhar de outros destaques, como o documentário As Miúdas do Skate, de Edward Cook, sobre uma rapariga apaixonada por um desporto dominado pelos rapazes, ou outra produção holandesa, Gesso, de Jeroen Houben, também com uma personagem de carne e osso, um miúdo de 12 anos, acanhado, a quem o gesso num braço, nas férias de verão, vai acabar por dar resolução às suas inseguranças.

Destinado aos pré-adolescentes (maiores de 13 anos), há uma comédia negra - Carac(h)horror - da Nova Zelândia, que deixa qualquer um sensível à causa dos moluscos de carapaça, sempre agarrados a uma couve ou à alface... Ao entrarem na cozinha, não têm como escapar a toda a espécie de perigos. Mas nas curtas especialmente direcionadas para estes pequenos "mais velhos", pede-se também atenção para Falta!, do norueguês Rune Denstad Langlo, baseado nas suas memórias, em que se segue o dia de uma criança solitária, na imensidão branca da neve. Explora-se ainda o tema do ritual do cinema, no documentário de 12 minutos Como Fazer Um Filme, em que alguns espectadores falam das suas sensações.

Os portugueses

Se há filminhos portugueses? Claro que sim. Putos da Estrela, de Carolina Caramujo Machado, está entre os trabalhos mais originais, a reunir quatro crianças no Jardim da Estrela, em Lisboa, para que elas nos falem das suas fantasias e das personagens que são na sua própria história. Por sua vez, os alunos do 6.º ano do Colégio Pedro Arrupe realizaram um belo filme, com bonecos e cenários feitos à mão, sobre um rei que percebeu como é importante não estar sempre ocupado: é preciso Tempo para Pensar. Dona Fúnfia - Volta a Portugal em Bicicleta, de Margarida Madeira, é mais um dos títulos nacionais, em que a protagonista troca as saias por um par de calças e decide ir pedalar pelo país fora.

E a viagem continua nesta programação recheada das mais diversas técnicas de animação para nos dar histórias minimais, como a de Pawo - uma boneca que se diverte na tela branca onde está inserida, transformando um amigo em várias figuras, que só dependem de um novo molde - ou A Árvore, de Lucie Sunkova, que reflete sobre a passagem das estações numa colina, e ainda um maravilhoso retrato daquilo que uma mãe faz pelos filhos: Tudo sobre a Nossa Mãe, da russa Dina Velikovskaya.

Festa do Bairro

Domingo é um dia especial, com atividades para todos, a partir das 16.00, no jardim da Culturgest, que terminará com uma atuação da cantora Lena d"Água. Há leituras, oficinas de ilustração, construção de fantoches e muito espaço para ver os resultados das personagens e narrativas criadas. Mas não é só neste dia que a secção educativa do festival dispõe de ateliês para despertar nas crianças o gosto pelas imagens e seus materiais. Também amanhã, dia 23, e no dia 30, entre as 14.30 e as 16.00, a Culturgest volta a ser palco da diversão, convidando famílias a juntarem-se para formar um elenco, com histórias da sua imaginação.

Para as escolas, a oficina "O nosso filme é como um grão" pega na areia como material de excelência para dar largas à criatividade (nos dias 26, 27 e 29, em vários horários). No último dia do IndieLisboa, 1 de maio, pelas 11.00, numa parceria com as Bibliotecas de Lisboa, tempo para mergulhar no universo cinematográfico Indie.

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