Grace Jones: um furacão em forma de corpo

Ícone de várias marés da moda ou obsessiva da perfeição? A cantora, atriz e modelo defende-se dos "rumores" numa biografia usada, em grande parte das páginas, como justificação

Tornou-se rebelde para reagir a uma educação religiosa que, por exemplo, lhe interditava brincadeiras no caminho entre a casa de família e a escola ou impedia que ela cantasse algo que não valesse como um louvor a Deus. Talvez por isso, Grace Beverly Jones (Bev para os parentes) defenda, na biografia recentemente publicada, que a sua infância só chegou quando se mudou da Jamaica para os Estados Unidos, aos 13 anos, seguindo com os irmãos o trajeto dos pais. Talvez esse desfasamento entre a idade real e a que gosta de apresentar esteja na base de um pormenor insólito: em 386 páginas, a autora nunca revela a sua data de nascimento. Já agora, para informação geral, nasceu em Spanish Town, Jamaica, a 19 de maio de 1948.

Grace Jones aproveita o último capítulo para anunciar o futuro, com novo disco e novos espetáculos. Anuncia que o fim vem longe e que estão por escrever novos capítulos de uma vida tempestuosa, desmedida, desregrada a vários níveis, mas definitivamente singular. Por exemplo, na forma - parcialmente confessada - como uma "monogamia (sem exageros...) consecutiva" sempre a impediu de se sentir sozinha, embora preferisse não partilhar casa com o par de cada ocasião.

Mesmo Jean-Paul Goude, realizador e artista plástico, com quem Grace reparte um filho, Paulo, e uma neta, Athena. Apesar de habitarem simultaneamente em Nova Iorque, durante anos, preservaram os respetivos apartamentos. Ou Dolph Lundgren, o colosso sueco dos filmes de ação (de Rocky a Os Mercenários), inicialmente contratado como guarda-costas de Miss Jones, quando ainda era estudante de engenharia química, mas depressa foi promovido a guardião-mor da fortaleza. A artista aproveita ainda para esclarecer que, embora a sua atividade sentimental e a sua aplicação sexual não tenham sido propriamente mares da tranquilidade, só se casou realmente uma vez, em 1996, com um turco muçulmano chamado Atila Altaunbay, que tinha metade da idade da esposa. O curioso é que, oficialmente, Grace ainda é casada com Atila, uma vez que este desapareceu, regressando ao seio familiar, e nunca trataram do divórcio.

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