"Gosto de filmes em que as mulheres são muito bonitas e os homens nem por isso"

Chega hoje aos cinemas A Fabulosa Caprice. O DN entrevistou Emmanuel Mouret, o seu autor e protagonista. Um cineasta tocado por Whit Stillman que preza sobretudo o lugar das atrizes

O seu cinema é encenado com os valores mais simples possíveis. Diria que é um cineasta movido pela modéstia?

Neste filme tem que ver com a minha personagem, um homem comum e simples. Um homem que se apaixona por uma atriz muito conhecida. Só isso tem que ver com o meu desejo de cinema: quando era adolescente também admirava as stars. Adoro quando o cinema aborda situações muito simples e triviais e, depois, consegue complicar tudo um pouco.

Por fazer um cinema fora da indústria sente que não está pressionado? É curioso conseguir ter um ritmo de produção tão forte...

Sinto-me um artesão, sim... Estou fora da indústria e movo-me numa área de cinema mais independente. Diria que acabo por perceber que há pressões dos canais televisivos que financiam o cinema. Faço os meus filmes com o dinheiro que está disponível, ponto final... Há colegas meus que conseguem depois navegar para um cinema mais industrial e apresentam, mesmo assim, bons filmes. Estou um pouco à parte disso. A mim interessa-me que existam todos esses tipos de cinema. Se formos comparar esta indústria à da restauração, é bom que os consumidores encontrem também pequenos restaurantes mas que também tenham à disposição a fast food.

Está a dizer que no futuro não chega a encarar trabalhar um dia com um orçamento de uma outra dimensão?

Neste momento isso não me passa pela cabeça, mas sonha-se sempre trabalhar com mais dinheiro. Mas quando se tem mais orçamento, ficamos também com menos liberdade. O que é necessário é encontrar o compromisso certo. Por agora não sou um cineasta infeliz.

Qual o seu critério quanto à escolha dos atores?

Essa questão obriga-me a uma certa reflexão. Qual o meu critério? Passa sempre pelo meu desejo pelas atrizes. Quando penso em atores, penso em atrizes. Primeiro escolho as atrizes, só depois os atores. Curiosamente, gosto de trabalhar com as atrizes mais belas. Quando digo belas ou bonitas devo dizer que passa mais pelo seu charme. É óbvio: gosto de filmes em que as mulheres são muito bonitas e os homens nem por isso! Isso faz-me sonhar, dá-me coragem e faz-me ficar a pensar que homens como eu têm hipóteses. Quando era mais novo esses filmes ajudaram-me enquanto homem.

Por que razão o Emmanuel Mouret ator faz tão poucos filmes de outros cineastas?

Porque não me sinto bem um ator. Gosto de representar mas não é isso que me move. Além do mais, tenho sempre a cabeça nos meus filmes. Sinto que para ser ator precisamos de tempo para investir nas personagens. Quando era estudante passou-me pela cabeça levar mais a sério a representação, achava divertido. Mas... quem sabe um dia?

Aquelas personagens que interpreta nos seus filmes são todas projeções de si mesmo?

Sim, quando as imaginei nem me apercebi disso.

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