Gisela João: "Com a cabeça e as mãos no coração das pessoas"

Gisela João já tinha esgotado o CCB, em Lisboa, e a Casa da Música, no Porto, em janeiro de 2014. Passado um ano decidiu enfrentar um desafio maior: os palcos dos coliseus. Para esta estreia promete uma mão cheia de novas canções.

Natural de Barcelos, Gisela João é um dos mais recentes casos de sucesso no meio do fado. Chegou sem complexos, ora cantando numa tradicional casa de fados, ora subindo ao palco da discoteca Lux para cantar com o produtor Nicolas Jaar ou com o grupo Linda Martini. O seu primeiro álbum, homónimo (2013), foi amplamente aplaudido pelo público e pela crítica. Desde então trilhou um percurso no fado que dispensa comparações a outras vozes. Agora chega aos coliseus do Porto e de Lisboa, onde vai apresentar as novas canções que tem vindo a preparar para esta estreia.

Como estão a correr os preparativos para a sua estreia em salas tão importantes como os coliseus do Porto e de Lisboa, a 23 e 31 de janeiro, respetivamente?

Com os nervos em bico, é o que posso dizer. Aquilo é mesmo grande. Fico muito nervosa. Às vezes consigo acalmar-me, mas a maior parte do tempo tem sido de muito nervosismo. Saiu o meu disco, depois andei este tempo todo a dar concertos, fiz a Casa da Música [no Porto], CCB [em Lisboa]. Naquela altura ainda fazia sentido apresentar só aquele disco, mas agora com estes concertos sinto que devia dar algo mais e diferente às pessoas. Decidimos todos andar com isto para a frente, mas com isso vem de novo todo o medo de ser a primeira vez que estou a mostrar coisas novas, a tentar fazer algo diferente e isso faz-me sentir um peso ainda maior nas costas.

Partiu de si a ideia de ir aos coliseus agora ou recebeu uma proposta?

Aconteceu a meio do verão [do ano passado]. O Hélder [Moutinho, fadista e agente de Gisela João] mandou-me um e-mail no qual escreveu: "Vamos fazer os coliseus". Eu nem respondi, só pensei: "Since-ramente, que estupidez". Passado um ou dois dias ele insiste e eu: "Mas estás a falar a sério? Estás maluco". Depois liguei ao Frederico [Pereira], que é o meu produtor e braço direito e falei-lhe disto e ele achou muito bem. Fiquei mesmo surpreendida. Aproveitei e perguntei a umas amigas e elas ficaram super felizes e só diziam que estava mais do que na hora.

Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN

Exclusivos

Premium

Nuno Severiano Teixeira

"O soldado Milhões é um símbolo da capacidade heroica" portuguesa

Entrevista a Nuno Severiano Teixeira, professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e antigo ministro da Defesa. O autor de The Portuguese at War, um livro agora editado exclusivamente em Inglaterra a pedido da Sussex Academic Press, fala da história militar do país e da evolução tremenda das nossas Forças Armadas desde a chegada da democracia.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.