Frankie Chavez apresenta-se em Lisboa na companhia de muitos amigos

O músico apresenta o novo disco, Double or Nothing, editado neste ano, com Benjamim, Peixe, Rui Veloso e Sam Alone.

Logo na primeira faixa do disco, Frankie Chavez diz ao que vai quando exclama, a plenos pulmões, que o rock'n'roll é a sua religião. Segundo o músico, o tema My Religion "foi escrito um dia depois dos atentados de Paris", no Bataclan, e tem que ver com tudo o que se passou então e depois. "Não faz qualquer sentido matar e morrer por causa de uma religião. É por isso que eu faço essa declaração, porque o rock é uma celebração da vida, como o deveriam ser todas as religiões", defende. E é precisamente isso que pretende fazer hoje e amanhã no Teatro da Trindade, em Lisboa, num regresso aos palcos da sua cidade, para apresentar ao vivo o novo álbum Double or Nothing, editado em maio deste ano.

"É uma apresentação do disco, mas também tem esse tal lado de celebração, de estar em palco, em Lisboa, numa sala incrível e de poder ter a oportunidade de juntar à minha volta algumas das pessoas com quem mais tenho tocado nestes últimos anos, como é o caso do Sam Alone, do Peixe, do Rui Veloso ou do Benjamim. Vai ser uma espécie de fechar de um ciclo. Vamos tocar o disco na íntegra, mas também vamos revisitar temas dos outros discos", revela Frankie Chavez ao DN, no final de mais um ensaio, que desta vez contou com a presença de Rui Veloso, com quem irá tocar dois temas.

"Já nos conhecemos há muito tempo e aceitei logo o convite. Lembro-me de que quando descobri o trabalho do Frankie Chavez, já há uns anos, lhe achei logo muita graça, porque é diferente de tudo o que se faz por cá. Tem muito a ver com os blues, que é também a minha raiz", conta Rui Veloso, que irá tocar um tema próprio, Morena de Azul, e Going Down, um clássico de Freddy King. "Apesar da diferença de idades, temos uma linguagem comum e partilhamos ambos herança dos grandes mestres do blues, que nos levaram a ser quem somos", explica Rui Veloso.

Não foi um percurso normal, o de Francisco. Toca guitarra desde criança, mas só aos 32 anos gravou o primeiro disco. Chamava-se Family Tree e era assinado por Frankie Chavez, o alter ego musical que criou para dar nome a uma one-man band de blues, mas com muito rock'n'roll à mistura. Foi por influência dos irmãos mais velhos que, ainda adolescente, começou a ouvir nomes como Jimi Hendrix, Robert Johnson ou Ry Cooder, que lhe haveriam de moldar a personalidade enquanto artista.

Neste último disco, porém, Frankie optou por se afastar da zona de conforto do blues mais tradicional, apostando numa sonoridade mais rock, mais de banda, que agora também quer transpor para o palco, nestes dois espetáculos. "Trata-se do meu disco mais arrojado, mas foi uma mudança natural, até porque me esforço sempre para não repetir as mesmas fórmulas. Como estive mais tempo em estúdio, também deu para experimentar mais e explorar novos caminhos musicais, por onde nunca tinha andado", afirma.

O método de trabalho, inicialmente muito "mais solitário", também mudou, e isso ouve-se no disco. "Gravei o disco em trio e houve uma muito maior influência da banda nos arranjos, apesar de no geral não fugir muito aos tais três estilos que definem a minha música: o blues, a folk e o rock", recorda. Admite que quis "experimentar coisas novas". E agora, ao vivo, vai acontecer o mesmo com os temas mais antigo. "Muitos deles foram feitos a solo e agora vamos ser cinco a tocar. É muito engraçado ver que estas canções tanto funcionam apenas com guitarra acústica e voz como num formato de banda."

É já hoje à noite, no Teatro da Trindade, num concerto já esgotado, que se repete novamente amanhã. "Tinha algum receio, porque duas datas seguidas, na mesma cidade e na mesma sala, poderia parecer um bocadinho ambicioso demais", confessa. Afinal não foi.

Frankie Chavez

Teatro da Trindade, Lisboa.

Hoje e amanhã, 21.30.

Bilhetes a 5 e 12 euros

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