Eu não evoluo, Viajo. José Escada na Gulbenkian

A primeira retrospetiva dedicada ao pintor José Escada com 170 peças, algumas inéditas, evoca, em Lisboa, as revisitações constantes e a tensão entre o abstrato e o figurativo

A exposição Eu não evoluo, Viajo, inaugura na sexta-feira, às 18:30, e abre ao público no sábado, ficando patente até 31 de outubro no Museu Calouste Gulbenkian/Coleção Moderna (antigo Centro de Arte Moderna).

Numa visita guiada à imprensa, Rita Fabiana, curadora da exposição, apontou que José Escada está pouco representado em coleções públicas e museus, estando a maioria dos seus trabalhos em coleções privadas, porque o artista fez muitas ofertas a amigos.

Na investigação para a montagem da retrospetiva foram identificadas cerca de 900 obras e a Gulbenkian apresenta 170 em suportes como o desenho, a pintura, a ilustração, as colagens, os relevos recortados, entre outros géneros artísticos.

Escada foi alvo de uma exposição de maior relevo apenas em 1980, poucos meses depois da sua morte, numa homenagem que lhe foi realizada na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa.

A retrospetiva orienta-se numa linha cronológica, iniciando-se com obras de meados dos anos 1950, sendo a mais antiga um retrato de corpo inteiro da artista Lourdes Castro (1955), e termina em 1980, atravessando as várias fases da criação, de cariz fortemente experimental.

Nascido em Lisboa, em 1934, José Escada desenvolveu uma obra intensa, colaborou com artistas, arquitetos e escritores, sobretudo no contexto do MRAR (Movimento de Renovação da Arte Religiosa), em livros, revistas e jornais, quer como ilustrador, quer através da produção de textos críticos sobre a arte moderna e o ensino artístico em Portugal.

O seu discurso crítico do regime do Estado Novo levou a que fosse perseguido e estivesse exilado em Paris durante uma década.

Uma das obras inéditas apresentada nesta exposição é a pintura Joie de vivre (1960), resultado de uma encomenda para uma fábrica na Holanda, cujo objetivo, segundo a curadora, era "criar um ambiente estimulante para os operários".

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