Do Museu do Louvre a Miles Davis

Cineastas Independentes e americanos também integram a ementa de verão

Convenhamos que, por vezes, são os valores dominantes do próprio mercado que parecem contrariar a simples visibilidade dos filmes mais "pequenos" (entenda-se: com menores recursos promocionais). O certo é que o espectador atento não pode queixar-se de falta de diversidade.

Filmes de autor? Sim, sem dúvida. Não porque a marca autoral seja uma garantia do que quer que seja, antes porque há mesmo projetos que se definem, antes do mais, a partir de uma pessoalíssima visão do mundo. Já esta semana, por exemplo, será possível descobrir A Academia das Musas, do espanhol José Luis Guerín, deambulando pelo universo de um professor apostado em criar uma "escola de musas", por essa via reencontrando o amor como enigma literário. Guerín ilustra a persistência de uma noção autoral que, não sendo exclusiva da produção europeia, encontra na Europa as suas memórias mais radicais. E há mais veteranos que, ao longo deste Verão, poderão exemplificar tal noção - são eles o russo Aleksandr Sokurov, os italianos Paolo e Vittorio Taviani e o francês Laurent Cantet.

De Sokurov teremos Francofonia, filme que se apresenta como uma "reportagem filosófica" sobre o Museu do Louvre durante a ocupação nazi. Dos irmãos Taviani estreará Maravilhoso Boccaccio, propondo uma revisitação do Decameron (tratado em 1971 por Pier Paolo Pasolini). Enfim, Cantet evoca a ilha da Odisseia de Homero - o filme chama-se Vuelta a Ítaca - para falar de Cuba e do regresso de uma personagem que viveu exilada em Espanha.

Americanos & europeus

Convém não esquecer que neste sector estão também representados os americanos a que, com maior ou menor justificação, colamos o rótulo de independentes. É o caso de Whit Stillman, com Amor e Amizade, objeto deliciosamente fora de moda que adapta uma novela de Jane Austen; Don Cheadle, a interpretar e dirigir Miles Ahead, sobre Miles Davis; e Larry Clark, com The Smell of Us, mais uma crónica juvenil, desta vez centrada num grupo de praticantes de skate, em Paris. Paradoxalmente, este último é mesmo uma produção de raiz europeia: a sua estreia mundial ocorreu no Festival de Veneza de 2014, sob a bandeira da França.

Continuam, aliás, a verificar-se significativos atrasos no lançamento de alguns filmes que ganharam visibilidade em grandes certames internacionais. Dois especialmente interessantes, incluídos na selecção oficial de Cannes/2015, estão também agendados para as próximas semanas: De Cabeça Erguida, de Emmanuelle Bercot, uma história de delinquência juvenil, e An, mais uma parábola humanista da japonesa Naomi Kawase, centrada num pequeno quiosque de venda de guloseimas.

Outros títulos a ter em conta: o alemão Fritz Bauer: Agenda Secreta, de Lars Kraumer, sobre o julgamento do nazi Adolf Eichmann; o britânico Um Traidor dos Nossos, de Susanna White, adaptando o romance de John Le Carré; e Quo Vado?, de Gennaro Nunziante, comédia com Checco Zalone que entrou para a história do cinema italiano como o maior sucesso nacional de todos os tempos.

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