Do mundo para a Torre de Belém

Despedida em ritmo infernal dos Buraka Som Sistema em Lisboa, a fechar a primeira edição do festival Globaile.

Ali ao lado, a velhinha Torre de Belém testemunhou esta noite mais um final de uma viagem transcontinental, que levou 10 anos. De Buraka para o mundo, do mundo para a Torre de Belém, os Buraka Som Sistema terminaram um percurso notável com um concerto avassalador. Souberam terminar na hora certa. A última imagem dos Buraka será a de Belém, a memória de um colectivo em estado físico e criativo muito saudável, capaz de mexer com o público de forma inesgotável durante duas horas e que por isso deixa saudades como o colectivo nacional mais influente de sempre da electrónica, graças um laboratório ambulante que soube agregar vários sons do mundo como, entre outros, o kuduro.

Já com Branko nas programações e DJ Riot na bateria, a entrada em palco dos três MC - Conductor, Kalaf e Blaya - teria que ser feita com aparato, levando o Jardim da Torre de Belém ao rubro com Hangover (BaBaBa). Kalaf assume os vários discursos ao muito público que se veio despedir dos Buraka, e lança logo o mote: «vamos tentar não ser sentimentalistas, queremos fazer a maior festa que Lisboa já viu». Não foi falsa promessa, e Get Stupid e We Stay Up All Night provocam a loucura descontrolada, enquanto Blaya e Conduktor trocam a sua destemida movimentação sexual que ganha uma maior agressividade logo no tema seguinte, Parede. Depois de uma autêntica sessão de kuduro, Blaya roça-se e é roçada por Conductor. Sexo e dança misturam-se novamente.

Esta era uma actuação histórica sobre a história do grupo. Por isso, ouviu-se Wawaba, dos primórdios dos Buraka, com rap e kuduro bem envolvidos. Em Vuvuzela, o relvado volta a parecer um trampolim, com tanta gente aos saltos. A colagem das músicas não permite que o espectáculo pare e de repente, sem intervalos, estamos já a ouvir Sound of Kuduro, com Blaya a fazer de M.I.A.
Depois de mais uns quantos encontrões entre rabos, sobretudo no público, Kalaf volta a fazer o enquadramento histórico do grupo e recorda onde tudo começou, no Clube Mercado. Estava feita a introdução para outro tema de 2006, Yah!
Os Buraka estavam imparáveis. Pediam mãos no ar, telemóveis ao alto. Luanda-Lisboa é outro dos momentos altos com uma coreografia de kuduro de Blaya com mais duas dançarinas
Segue-se a viagem para o Rio de Janeiro e para o funk carioca
em Aqui para Vocês - assola-se entretanto a dúvida, haverá alguma música dos Buraka que o público não viva de forma vibrante? «A Buraka é dona do terreno», isto é, interpreta Tira o Pé, numa escalada apoteótica que termina, com o público de t-shirts no ar, a dançar o contagiante Wegue Wegue, com a indomável Pongo Love na área.

Durante o encore, que incluiu músicas como Eskeleto, Kalaf anunciou a periodicidade anual do festival Globaile em Lisboa, dedicado à «electrónica global». Termina assim uma viagem à volta do mundo para começar outra.

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