Do desenho de um arlequim nasceu uma casa-atelier

Projetada há anos, ficou terminada em 2010 mas só há 15 dias Alvarinho Siza se mudou para a casa-atelier onde fez quase tudo

Porque Álvaro Leite Siza Vieira fez um pouco de tudo na casa que projetou, na Rua de Fez, no Porto, onde vive há 15 dias, e onde tem o seu atelier. Ou porque, projetada há anos, finalmente a fez, batizou-a de Casa Fez. Nesta obra de arte, foi "arquiteto, cliente, promotor, coordenador e fiscal de obra". Desenhou os puxadores, as portas e os corrimãos. E conseguiu uma obra emblemática, digna dos melhores manuais, que faz correr tinta em revistas internacionais e move autênti- cas excursões.

Alvarinho, como é chamado pelos amigos, abriu-nos as portas deste volume que tem de tudo para prender o olhar e fazer sonhar. Ele, que tenta concretizar os sonhos dos outros, acabou por realizar o seu: "Foi preciso coragem. Persegui um ideal e concretizei o sonho de projetar a minha casa-atelier que ficou pronta em 2010". Ainda que a licença de habitabilidade date de 2015.

Esta obra de arte está cheia de detalhes, como o "desenho geométrico com losangos associados em diferentes ângulos", ou a forma e as volumetrias - organizadas por secções verticais e horizontais. O arquiteto projetou uma obra de arte com rigor arquitetónico, expressivo e figurativo.

Enquanto aponta para o volume geométrico desta casa, Alvarinho realça os pórticos como espaços de transição e respetivos lanternins de luz natural. Além das fabulosas vistas para o jardim e a piscina. E explica que a casa resultou do desenho figurativo de um arlequim. "A abstração geométrica desta figura materializa-se na pele que envolve a totalidade do programa, sendo parte integrante do mesmo." Lembra, por isso, que se baseou no corpo humano, que desenha desde pequeno e representava os movimentos no papel. Quando começou a projetar, "é como se as figuras saltassem do papel para a arquitetura". Mais, afirma, "é como se fosse um corpo vivo ao serviço das pessoas, da vida".

O hall de entrada, à direita dá acesso ao atelier e à esquerda à casa propriamente dita. Aí surgem muitas das peças que desenhou - candeeiros, puxadores, portas ou o mobiliário, como um contador na sala de jantar. Mas também há legados: "Tenho algumas peças de família que são memórias presentes, como mobiliário do século XIX", revela.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG