Dias Da Dança. Um festival, 27 espetáculos e 3 cidades como palco

A primeira edição do Festival DDD - Dias da Dança faz-se de espetáculos mas também dos seus criadores, para ajudar a refletir

Ana Rita Teodoro a deixar a inclinação do solo impelir o movimento do seu corpo, escorrendo no meio dos que caminham pela Rua 31 de Janeiro abaixo (MelTe); o público que esgota o Auditório de Serralves a cantar a capella para Vera Mantero dançar (Os Serrenhos do Caldeirão, exercícios em antropologia ficcional); uma plateia improvisada a toda a volta da sala de ensaios do Rivoli, para ver e ouvir Aimar Perez Galí reivindicar em dança e discurso o lugar e a voz política do bailarino (Sudando el Discurso: uma crítica encuerpada); peças de roupa de dezoito bailarinos amadores e dois profissionais a voarem no Auditório Municipal de Gaia (Repertório para Cadeiras, Figurantes e Figurinos, de Miguel Pereira); 25 alunos do Balleteatro a desenharem novas cartografias nos claustros do Mosteiro de S. Bento da Vitória (Dança #3, de Né Barros); o corpo em movimento de Dinis Machado a criar um outro espaço, tão concreto quanto imaginário, no espaço do Cine-Teatro Constantino Nery, em Matosinhos (Paradigma) - são imagens que se opõem, completam e exponenciam, impressões de um festival que, na sua edição de estreia, pretende falar a diferentes públicos e em várias escalas.

"Agradam-me estas texturas muito diferenciadas", diz Tiago Guedes, que desenhou o Festival DDD - Dias da Dança para "contaminar efetivamente as outras cidades, e não apenas arrastar público do Rivoli e Campo Alegre. São 27 espetáculos pensados para diferentes escalas, da sala para 30 pessoas ao grande auditório Manoel de Oliveira, das criações de novos artistas a espetáculos de Raimund Hoghe, da rua ao palco. E também da partilha que implica que três cidades diferentes se juntem para pôr de pé um festival de dança."

Diretor artístico do Teatro Municipal do Porto desde 2014, e consciente da responsabilidade que tal implica nas várias frentes artísticas da região, o coreógrafo quis criar um espaço para o público, feito de espetáculos de muito diferentes criadores - com graus diversos de maturidade e visibilidade, quer nacional quer internacional - mas que servisse também, a outros níveis além desse, as escolas de ensino artístico e a comunidade de criadores portuenses.

"À programação anual, pensada ao milímetro, era necessário juntar um festival que tivesse espaço para o erro - fundamental - e que potenciasse a comunicação e a reflexão. Daí que a programação extra espetáculos seja tão importante quanto a dos próprios espetáculos, que já de si têm as tais diferentes escalas, a vários níveis."


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