Crowe e Gosling levam bang-bang ao festival

Diversão garantida em Bons Rapazes, sensação fora de competição. Mas De Niro e o seu filme de boxe desiludem...

A herança do "caper movie" de detetives com uma pincelada de cinema negro. É isto que propõe o realizador e argumentista Shane Black, que anteontem conquistou o Grand Palais com uma receção entusiástica de Bons Rapazes, o seu novo filme, aqui selecionado para Fora de Competição. Uma comédia que serviu para fazer desfilar duas das grandes estrelas de Hollywood, Russell Crowe e Ryan Gosling, e aliviar o clima - foram muitos os aplausos espontâneos e as gargalhadas.

Depois de uma carreira em que nos anos 1980 e 90 ficou consagrado como argumentista de comédias de ação de qualidade, como Arma Mortífera e A Fúria do Último Escuteiro, Black teve uma nova vida como realizador desde 2005, quando triunfou com a imprensa em Cannes com Kiss Kiss Bang Bang. Agora está de volta com uma outra dupla de detetives privados numa Los Angeles do final dos anos 1970 e nos meandros da indústria do cinema porno.

Crowe e Gosling são dois detetives privados. Juntos tentam investigar o desaparecimento de uma atriz porno num caso com implicações até aos mais elevados níveis do poder local. Ajudados pela filha de um deles, ambos enfrentam gangsters psicóticos e um sem número de personagens de uma Los Angeles decadente.

Rodado com um ritmo muito interessante com diálogos repletos de nostalgia "eighties" bem à Shane Black, The Nice Guys é um objeto gingão e com uma alma casual, capaz de espantar o espetador mais habituado a filmes de ação formatados. Na verdade, é violento quando tem de ser, icónico a toda a hora e politicamente incorreto quando ninguém espera. Tem tudo para ser potencialmente um filme de culto cheio de auto-ironia, em especial na forma como se auto-dinamita na formatação da dupla: ou um filme de parceiros em apuros invertido.

Só é de estranhar que Black não tenha moderado a sua veneração sobre os códigos estéticos da época. Ficamos com a ideia de que se trata de um filme demasiado encantado com as marcas dos anos 1970. Mas é seguramente uma aposta ganha da programação de Cannes 2016 e uma prova de que o cinema de entretenimento americano ainda encontra caminhos de diversidade, mesmo que seja através de um filtro de evocação retro.

Quanto a Hands of Stone, do venezuelano Jonathan Jakubowiccz, selecionado à última da hora para uma sessão fora de concurso em homenagem a Robert De Niro, um dos protagonistas, é, em oposição, um passo em falso. Mais uma produção dos irmãos Weinstein sobre pugilismo, neste caso o relato da relação entre o campeão Roberto Duran e o seu treinador, Ray Arcel.

A seu favor uma das belas interpretações de De Niro nos últimos tempos, mas pouco mais. Tem toda a banalidade dos mais anónimos filmes com boxe.

Na apresentação aos jornalistas convidados para entrevistar De Niro, Harvey Weinstein avisou que era apenas um divertimento e que não se tratava de um filme para os jornalistas. O festival, em seguida, parece ter levado à letra as suas palavras, e o filme passou em Cannes sem projeção de imprensa. Estranho...

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