Concerto inédito de David Bowie editado no dia das lojas de discos

Hoje o Record Store Day celebra o 10º aniversário de novo com uma mão-cheia de lançamentos exclusivos, de Bowie aos Smiths, passando pelos Pink Floyd. Bowie regressa com o registo do concerto no Universal Amphitheatre, em 1974

A 5 de setembro de 1974, David Bowie subia ao palco do Universal Amphitheatre, em Los Angeles, em plena Philly Dogs Tour. Há mais de um ano que Bowie tinha abandonado a pele do herói rock alienígena que era Ziggy Stardust e nesta altura encontrava-se de novo em transição, entre a estrela glam rock que cantava sobre um mundo pós-apocalíptico em Diamond Dogs e o músico que se via imerso na música negra americana e que ia beber ao que então se fazia nos campos da soul e do r&b. Apesar de alguns momentos desse concerto terem sido utilizados num documentário da BBC, na verdade só a partir deste sábado é que todo o espetáculo estará disponível aos milhares de admiradores do músico, através do triplo LP Cracked Actor (Live in Los Angeles 1974). Continua-se, assim, a revelar a pouco e pouco o imenso arquivo que David Bowie nos deixou após a sua morte, a 10 de janeiro do ano passado.

Cracked Actor (Live in Los Angeles 1974) é agora editado no âmbito do Record Store Day, dia de celebração das lojas independentes de discos e da cultura do vinil. Em novembro do ano passado, conseguiu-se reunir pela primeira vez no mesmo local as gravações originais de todo o concerto que David Bowie deu no Universal Amphitheatre em setembro de 1974 e graças ao trabalho do colaborador de longa data Tony Visconti começou-se a montar o álbum que agora é editado nesta ocasião especial.

Apesar de na mesma altura ter sido lançado David Live, primeiro álbum ao vivo de David Bowie, um registo das primeiras datas do músico nos EUA em julho de 1974, no âmbito da Diamond Dogs Tour, este Cracked Actor (Live in Los Angeles 1974) diverge bastante desse disco, não só porque no concerto de Los Angeles Bowie contou com uma formação diferente, onde se encontrava o cantor soul Luther Vandross, mas também porque interpretou ao vivo duas canções que tinham sido, inicialmente, pensadas para o álbum The Gouster, que veio a tornar-se o Young Americans, tendo a versão imaginada por Bowie para The Gouster apenas sido lançada no ano passado como parte da caixa Who Can I Be Now? (1974-1976).

No Record Store Day, será ainda lançado um segundo disco do músico britânico, BOWPROMO, um disco promocional raro da altura de Hunky Dory que agora volta a ver a luz do dia.

Ao fim de dez edições, o Record Store Day continua assim a motivar vários lançamentos inéditos e exclusivos para este dia, numa altura em que o vinil parece ter regressado para ficar, dando-se de ano para ano um aumento das vendas de discos neste formato, ainda que estas estejam longe de representar uma fatia ainda muito significativa do total de receitas da indústria discográfica, cada vez mais assente nas plataformas de streaming. Ainda assim, segundo a Forbes, estima-se que neste ano se vendam 40 milhões unidades em vinil. Já no ano passado, as vendas em vinil ultrapassaram as vendas digitais no Reino Unido.

Novas dos Smiths e dos Pink Floyd

Daí que de ano para ano se crie um grande burburinho mediático em torno dos lançamentos que são delineados para o Record Store Day. Uma das grandes surpresas passa pela edição do primeiro inédito dos The The em 15 anos. O single You Can"t Stop What's Coming foi inclusivamente gravado com Johnny Marr, o mítico guitarrista dos The Smiths, que chegou a juntar-se à banda de Matt Johnson pouco depois dos Smiths terem colocado um ponto final no seu percurso. Silêncio que se mantém até hoje. Se as hipóteses de um encontro entre Morrissey e Johnny Marr continuam a ser altamente remotas passados 30 anos desde a separação dos Smiths (em 2009, chegaram a oferecer à banda 50 milhões de dólares só por três concertos, tendo, mesmo assim, recusado), ainda assim, no Record Store Day deste ano será editado um novo disco do grupo de Manchester. Na verdade, será uma maquete inédita do single The Boy with the Thorn in His Side (do álbum The Queen Is Dead), que será acompanhada no lado B por uma versão diferente do tema Rubber Ring. E dificilmente haverá mais novidades do que estas vindas dos Smiths nos tempos vindouros.

Será ainda lançada uma versão inédita de um dos temas mais célebres da primeira fase dos Pink Floyd, Interstellar Overdrive, quando ainda seguiam pelos trâmites criativos trilhados por Syd Barrett, com quase 15 minutos de duração e que terá sido gravada algures no final de 1966. Rumores apontam que esta versão mais longa foi gravada para um documentário curto de Anthony Stern, San Francisco, também ele com 15 minutos. A versão conhecida de Interstellar Overdrive fez parte do primeiro álbum dos Pink Floyd, The Piper at the Gates of Dawn (1967).

Já os Animal Collective vão lançar neste Record Store Day um novo EP, Meeting the Waters, que regista uma atuação de Avey Tare e Geologist (dois dos membros do grupo) na Amazónia, no início de 2016.

Em Portugal, os Linda Martini vão assinalar este dia com uma atuação junto aos Armazéns do Chiado, em Lisboa, e com a edição do tema Dez Tostões em vinil colorido. Na loja Flur, em Lisboa, haverá também uma apresentação especial do projeto Bruxas/Cobras (constituído por Ricardo Martins e Pedro Lourenço) também a propósito desta 10.ª edição do Record Store Day.

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