Centro Português de Surrealismo vai abrir em Famalicão

Com um investimento previsto de 2,5 milhões de euros, o projeto da Fundação Cupertino de Miranda deverá abrir as portas no próximo ano.

O futuro Centro Português de Surrealismo vai nascer em Vila Nova de Famalicão no próximo ano, anunciaram ontem a Fundação Cupertino de Miranda e a câmara local, estimando um investimento de 2,5 milhões de euros em cinco anos.

Este projeto nasce numa fundação que tem atualmente mais de três mil obras ligadas ao surrealismo, nomeadamente de Mário Cesariny e Artur Cruzeiro Seixas, num total de 130 artistas. O objetivo dos promotores do Centro Português de Surrealismo é colocar Famalicão na rede internacional de surrealismo através do estabelecimento de parcerias com países como Espanha, Brasil, Holanda, França, EUA, Suécia, entre outros.

O investimento de 2,5 milhões de euros inclui custos com a obra de reorganização do espaço da Fundação Cupertino de Miranda localizada no centro do concelho, programação e gastos de funcionamento. Em específico, a obra, que arrancará no verão e tem como autor João Mendes Ribeiro, deverá custar 850 mil euros.

A principal transformação face ao desenho atual da fundação é a passagem do espaço museológico, bem como da oferta formativa, para os primeiros andares do edifício - atualmente localiza-se na torre que compõe o espaço - colocando-o na "linha da frente" de forma a "promover o contacto com a comunidade".

Os responsáveis estimam que venham a ser realizadas entre três a quatro exposições por ano, somando-se projetos de itinerância com outras instituições, visitas guiadas, oficinas e a instalação de uma livraria especializada em surrealismo.

"O projeto de Famalicão Centro Português de Surrealismo pretende envolver os famalicenses numa ação em que todos podem contribuir para que o concelho seja o centro do surrealismo. Acreditamos que haverá impacto a médio e longo prazo nas visitas com muitos benefícios para o concelho e para o país", disse o presidente da Fundação Cupertino de Miranda, Pedro Álvares Ribeiro.

Já o presidente da câmara de Famalicão, Paulo Cunha, descreveu o centro como um "projeto âncora", revelando que a autarquia está a celebrar um protocolo para cinco anos com a Fundação Cupertino de Miranda que inclui um apoio de 75 mil euros por ano.

"É inegável o protagonismo que a fundação tem na área cultural quer em Famalicão, quer no país, sendo um dos pilares do concelho. E a fundação, que não vive fechada em si mesma, tem espólios riquíssimos", disse o autarca.

Paulo Cunha e Pedro Álvares Ribeiro vincaram o objetivo de tornar Vila Nova de Famalicão, no distrito de Braga, "o centro do surrealismo", criando uma "marca" que, creem, gerará "muitos benefícios" como o desenvolvimento da atividade turística ou o estabelecimento de parcerias com empresas e instituições.

No decorrer das obras, a biblioteca da Fundação Cupertino de Miranda manter-se-á aberta, no entanto a lógica de exposições temporárias e parte dos espaços estará "condicionada". Esta instituição, que recebeu em 2016 20 mil visitantes, já tinha, em 2000, lançado um Centro de Estudos de Surrealismo.

Em 2013 chegou a ser apresentado um projeto da autoria do arquiteto Eduardo Souto Moura que previa a construção de uma segunda torre na praça D. Maria II. Questionado sobre este projeto, Pedro Álvares Ribeiro garantiu que a ideia "nunca foi abandonada mas adiada" uma vez que se trata de um investimento a rondar os 10 milhões de euros.

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