Projeto de Siza Vieira na China entre os premiados pela Archdaily

Três projetos portugueses, um desenhado para a China por Siza Vieira, outro em Portugal pelo ateliê Spaceworkers e outro em Cabo Verde pelo ateliê OTO estão entre os vencedores do Prémio Internacional Archdaily Building of the Year 2015.

Os vencedores nas 14 categorias foram ontem anunciados pela organização do galardão, após uma segunda fase de votação online em que nove projetos portugueses estavam entre 70 finalistas escolhidos num universo de 3 500 projetos de todo o mundo.

Os projetos portugueses venceram nas categorias de Escritório ("The Building on the Water", na China, desenhado por Álvaro Siza Vieira e Carlos Castanheira), em Arquitetura Cultural (ateliê OTO para o Parque Natural do Fogo, em Cabo Verde), e Casas (Sambade, em Portugal, do ateliê Spaceworkers). O projeto do ateliê OTO para o Parque Natural do Fogo foi inaugurado em março do ano passado, mas foi destruído em novembro pela erupção vulcânica que afetou aquela ilha de Cabo Verde.

"O prémio da Archdaily mostra que a arquitetura portuguesa tem valor e que vale a pena as empresas investirem em arquitetos portugueses", comentou o arquiteto Nuno Lobo, de 36 anos, que trabalha há mais de sete anos em Pequim. Também a arquiteta paisagista Sofia Castelo, estabelecida também na capital chinesa, considera que o prémio atribuído a Siza Vieira " é muito bom para Portugal e para os arquitetos portugueses que trabalham na China".

"O facto de um edifício construído na China ser reconhecido a nível internacional é extraordinário. A construção na China ainda não tem a qualidade do que faz na Europa", salientou Sofia Castelo.

O prémio "Archdaily Building of the Year 2015" distinguiu um edifício de escritórios na província chinesa de Jiangsu desenhado por Siza Vieira em colaboração com o arquiteto Carlos Castanheira, e inaugurado no verão passado. Foi o primeiro projeto de Siza Vieira na China, desenhado e construído ao longo de quatro anos, sobre um lago artificial. Trata-se de uma construção curvilínea de 10.000 metros quadrados, com apenas dois pisos e 300 metros de comprimento, edificada no meio do reservatório da fábrica Shihlien Chemical Jiangsu Co, em Huaian, no leste da China. Batizada pelos proprietários com o nome de "Edifício sobre a Água", a obra faz lembrar um dragão flutuar.

Para o Shihlien Group, o consórcio de Taiwan que encomendou o edifício agora premiado, Siza Vieira "é um dos grandes mestres da arquitetura vivos", com uma obra de linhas "minimalistas" e "altamente poética". "O minimalismo simples do seu vocabulário arquitetónico está intimamente ligado à paisagem e casa-se com um profundo respeito pela região, a cultura e a história, dando à obra uma irresistível tensão e vitalidade", considerou o Shihlien Group

Fundada em 2008, a Archdaily é uma plataforma online de informação e divulgação da arquitetura que contabiliza 350 mil visitas diárias e atribui anualmente este prémio a projetos que se estacam pela inovação espacial, social, material e técnica.

Na lista de 70 finalistas estavam nove projetos de arquitetos portugueses desenhados para o país ou para o estrangeiro. Além dos vencedores, eram finalistas, na categoria Habitação, a DM2 Housing do ateliê OODA, e na categoria de Hospitalidade o White Wolf Hotel, do atelier AND-RÉ, a Casa no Tempo dos arquitetos Aires Mateus e de João e Andreia Rodrigues, e o Ozadi Hotel, de Pedro Campos Costa. Também em Portugal eram finalistas os projetos JA House, de Filipe Pina e Maria Inês Costa na categoria de Remodelação, e o Centro de Artes Nadir Afonso, por Louise Braverman na categoria Arquitetura Cultural.

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