ARCOlisboa ultrapassou "largamente as expetativas"

A organização da feira de arte contemporânea, que se estreou em Lisboa, faz um balanço muito positivo desta edição. Os galeristas também. Ninguém revela quanto vendeu

O balanço da primeira edição da ARCO Lisboa - Feira Internacional de Arte Contemporânea, e que hoje chegou ao fim, "não podia ser mais positivo, em todos os aspetos", afirmou à Lusa seu diretor, o espanhol Carlos Urroz.

"As nossas expectativas foram largamente superadas, não apenas no número de visitantes, mas as galerias estão também muito contentes com as visitas que tiveram em Lisboa, tanto de profissionais, como de colecionadores, portugueses e estrangeiros, diretores de museus, e também do público, em geral, que fez fila para entrar. Foi tudo muito positivo", afirmou Urroz.

E esta ideia de satisfação está expressa na decisão de continuar o evento no próximo ano, na mesma altura do ano, segunda quinzena de maio, no mesmo espaço, as instalações da antiga Cordoaria Nacional, e no mesmo formato, uma "feira boutique, adequada ao mercado português e ibérico".

"Será sempre uma feira boutique. Queremos crescer em qualidade e não em metros quadrados. E queremos fazer a segunda edição no mesmo formato e aqui. Sei também que há outros espaços onde podemos fazer extensões e outras coisas, mas logo pensaremos nisso para 2017", anunciou o diretor da ARCO Lisboa.

"Pequena, mas fundamental", considera João Esteves de Oliveira, galerista que escolheu Pedro Cabrita Reis como artista de destaque. "Acho que a ARCO veio preencher um vazio. A última feira de arte em Lisboa foi há quatro anos, e mesmo assim, as últimas edições da Feira de Arte da FIL foram já muito murchas", acrescentou.

A galerista Cristina Guerra, membro do comité de seleção da ARCO Lisboa, vai mais longe: "A vinda da ARCO para Lisboa vem criar um mercado. Não consigo comparar esta feira com outras que houve em Portugal. Esta, sim, é uma feira internacional".

"Importamos muito e exportamos pouco e o que vi foi que toda a gente ficou doida com as nossas coleções, com as nossas galerias. Acho esta abertura fantástica para criar um mercado, que nós não temos", afirmou a galerista.

A vinda da ARCO para Lisboa vem criar um mercado

E quanto à dimensão, também ela é positiva. "O formato boutique é ótimo", diz Cristina Guerra, que considera "fantástica" a "complementaridade" da ARCO Lisboa em relação a Madrid.

Outro dos ingredientes de sucesso da ARCO Lisboa foi a programação paralela associada ao evento, que deu escala a uma feira que que não alcançou a centena de galerias representadas.

"Havia a perceção por parte da organização da ARCO da necessidade de dar escala a esta feira boutique através de um entrosamento da feira com a realidade e a oferta de arte lisboeta, para que os visitantes tivessem como oferta a ARCO mais a cidade", disse Rita Sousa Tavares, do Café Pessoa, o parceiro da ARCO para a programação paralela do evento.

A estratégia passou por desenhar uma agenda e calendário coordenados com a programação dos museus para fazer com que boas inaugurações acontecessem por esta altura.

O resultado, diz Rita Sousa Tavares, "não podia ser melhor". "Reservámos as manhãs para os chamados convidados VIP e para um grupo de uma centena de colecionadores para conhecerem coleções privadas, verem exposições, visitas de galerias aqui representadas para conhecer acervos reservados. Podemos estar orgulhosos. O balanço que faço não pode ser melhor", diz.

Esta experiência foi "formidável", diz Pietro Spartà, galerista francês, que promete "voltar no próximo ano". "Há aqui um público muito interessante. Esta feira tem um tamanho muito bom, o local é magnífico, Lisboa é uma cidade fantástica. Tudo isto misturado dá um sentimento muito agradável", resume.

Quanto às vendas, "foram corretas", diz. "Houve muito interesse, há coisas a caminho muito boas, com novos colecionadores, sobretudo colecionadores portugueses. Não conhecia o mercado português e acho-o muito interessante", acrescentou, sem revelar números ou negócios concretos.

Esta é, de resto, uma constante. Ninguém diz o que vende. Mas, como diz, Cristina Guerra, "Todos os que interessavam venderam". "Vendemos todos", corrige a galerista.

"Superou todas as expetativas", diz também Vera Cortês. "Correu muito bem, em termos de contactos e de vendas. Eu, que sou muito otimista, fiquei surpreendida", acrescenta a galerista, que sublinha o outro argumento do sucesso da feira: "Conseguimos unir a cidade em torno da feira", diz.

E para o ano, há mais, com Lisboa como Capital Ibero-americana da Cultura, lembra Cristina Guerra. "Tudo está a jogar a nosso favor".

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