Aires Mateus: Primeiro projeto foi concurso para o Centro Cultural de Belém

O edifício-sede da EDP em Lisboa é, talvez, um dos mais visíveis da carreira do arquiteto Manuel Aires Mateus (com o irmão, Francisco), mas a obra do Prémio Pessoa 2017 pode ser vista em vários pontos do país e do estrangeiro. Em 2015, o ateliê Aires Mateus venceu o concurso internacional para os museus de Lausana, Suíça, batendo propostas de três prémios Pritzker.

Manuel Aires Mateus nasceu em Lisboa em 1963, e licenciou-se na Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, em 1986. Entre 1983 e 1988, trabalhou no ateliê de Gonçalo Byrne, quando ainda estava a estudar. "O primeiro projeto em que participou com alguma autonomia foi no concurso para o Centro Cultural de Belém em que ficámos em segundo lugar", recorda Byrne ao DN. O arquiteto aponta este "colaborador excecional", que chegou a coordenador-geral de projetos e, a dado momento, fundou o seu ateliê - em parceria com o irmão. Gonçalo Byrne refere que é "difícil separar um do outro" e aponta a "obra notável do ateliê".

O ateliê Aires Mateus tem projetos em Portugal, Irlanda, França, Bélgica e Suíça. Em Lisboa, para além da sede da EDP, assina em coautoria com Frederico Valsassina e João Nunes a requalificação da ETAR de Alcântara, a reitoria da Universidade Nova de Lisboa, em Campolide, além de edifícios de habitação, como a peculiar casa na Rua de São Mamede.

Com a proposta de estender o Jardim Botânico até ao recinto dos teatros, junto à Avenida da Liberdade, Aires Mateus ganhou o concurso de ideias para a reabilitação do Parque Mayer, lançado pela autarquia em 2007. Outro dos projetos que receberam luz verde e permanece por construir é o polémico edifício de gaveto no Largo do Rato (em coautoria com Frederico Valsassina).

Lá fora, assina a Faculdade de Arquitetura, em Tournai, na Bélgica, e o Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré, em Tours, França, e venceu dois importantes concursos internacionais: os museus de Lausana, na Suíça, e a mesquita de Bordéus, França.

O arquiteto Souto Moura, que integra o júri do Prémio Camões, destacou, entre as obras de Aires Mateus, a sede da EDP, "o edifício mais emblemático em Lisboa", a central telefónica de Santo Tirso, uma série de construções no Alentejo, entre asilos, habitação social e casas individuais.

Manuel Aires Mateus junta o Prémio Pessoa a outros prémios internacionais, como o Luigi Cosenga, o prémio de Arquitetura e Interiorismo, de Barcelona, o da II Bienal Ibero-Americana de Arquitetura da Cidade do México, assim como o Prémio ArchDaily, plataforma internacional dedicada à arquitetura.

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