Agualusa convicto de que festival de Óbidos pode definir tendências

O escritor angolano é um dos curadores do FOLIO - Festival Literário Internacional naquela vila portuguesa

"Acredito que vamos conseguir fazer de Óbidos uma referência em termos literários e ter aqui a maior parte dos editores, livreiros, críticos literários e pessoas ligadas ao livro para que o que se passar aqui seja um definidor de tendências do ponto de vista literário para o resto do ano", disse à Lusa José Eduardo Agualusa, curador da secção de autores no FOLIO - Festival Literário Internacional de Óbidos, que decorre até dia 25 na vila de Óbidos.

O curador pretende "aproximar as pessoas da literatura da forma mais festiva possível" admitiu ainda a expetativa de que "o festival cresça e possa, daqui a alguns anos, ter a pretensão de ser também um definidor de tendências para todos os países lusófonos".

Uma expetativa assente no sucesso do primeiro dia do festival, inaugurado ao final da tarde de quinta-feira, e que nos próximos dez dias promete "animação permanente, com coisas a acontecer em diversos espaços, aproveitando as potencialidades da vila com este facto extraordinário de ter 11 livrarias", sublinhou.

A intenção de que "este fosse um festival para ser vivido, que fosse uma festa e que a literatura não fosse algo enclausurada numa torre desfasada do mundo" foi cumprida logo no primeiro dia em que, segundo Anabela Mota Ribeiro, curadora da Folia " ficou manifesto que isto é uma coisa que está nas ruas com as pessoas".

Isso mesmo comprova o facto de o concerto agendado para hoje, com António Zambujo e Mayra Andrade a cantarem Caetano Veloso numa noite dedicada ao património cultural da lusofonia, já estar esgotado e de aos curadores chegarem notícias de "50 brasileiros que vieram de propósito assistir ao FOLIO", exemplificam os curadores.

A expetativa dos curadores é que muitos outros espetáculos, exposições e peças de teatro venham despertar igual interesse, tanto mais que "na sua escolha houve uma procura de que eles fossem atravessados pela literatura", como acontece com a Ode Marítima, interpretada por Diogo Infante (dia 19) ou o espetáculo de Maria Ruef, António e Maria (dia 24) o primeiro a partir da obra de Fernando Pessoa e o segundo da de Lobo Antunes.

E se de muita folia se faz o FOLIO Anabela Mota Ribeiro destaca também o facto de "todos os dias haver uma aula por académicos ou especialistas sobre autores de referência de Portugal, África e Brasil", uma inovação em termos de programas de festivais literários do país.

Motivos que levam a curadora a que passem por Óbidos nos próximos dez dias, para ver "não só aquilo de que gostam mais, mas também aquilo que lhes causa estranheza e perplexidade" porque entre "as coisas que não conhecemos bem e nos prendem a atenção, às vezes há algumas que nos conquistam".

Organizado em cinco capítulos (Folia, Folio Autores, Folio Educa, Folio Ilustra e Folio Paralelo), o festival tem um orçamento de 500 mil euros e será palco, até dia 25, de lançamentos de livros, debates, mesas redondas, entrevistas, sessões de autógrafos e conversas (improváveis, segundo a organização), entre cerca de uma centena de escritores e os leitores.

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