"Aero-vederci" dos 'bad boys' de Boston

A última digressão dos Aerosmith passou esta segunda-feira à noite por Lisboa. Já foram conhecidos como os bad boys de Boston. Agora são os sobreviventes do rock norte-americano

Antes de darem início à atuação, os Aerosmith passaram um vídeo de memorabilia da banda: capas dos discos todos, fotografias de grandes momentos da banda... Diz-se que é a digressão de despedida do grupo, mesmo que Steven Tyler e Joe Perry já tenham recuado na promessa de abandonar os discos.

Sobre o palco estava o símbolo dos Aerosmith e as colunas de som que dispararam altos decibéis depois de Steven Tyler cumprimentar o povo com um "Olá Lisboa". À segunda música, o ecrã apagou o logótipo de banda e lá se viram as caras da banda, sempre com destaque para o vocalista vestido com uma berrante camisa grená e a tradicional madeixa colorida na cabeleira (extensões?). Ouviam-se bem as duas guitarras e o baixo, sempre a encher a MEO Arena de eletricidade e um baterista a rivalizar com os homens da frente.

Steven Tyler não anunciou que vinha morar para Lisboa mas isso não esfriou os fãs, uma estranha mistura de jovens - mais do sexo feminino - e bastantes cabeças brancas e carecas. É a lei da vida, que não atacava a banda quase toda de chapéus e cobrirem a cabeça. Tyler corria pelo palco de uma ponta à outra depois de se ter lançado com Let The Music do the Talking. Quando chegou Livin' on the edge, já estava sem echarpe e tinha perguntado se estava "tutto benne". Eles estiveram em Florença e Roma e para os norte-americanos são todos latinos...

Joe Perry não deixou que o espetáculo fosse todo do pai de Liv Tyler e dominava o cenário intermitente, fazendo também os seus vocais após despir o casaco e fazer o primeiro solo a sério da noite. É verdade que o espetáculo é muito dominado pelo esquálido vocalista, com uma pera e um bigode de arrepiar, mas quando Perry tem direito a protagonismo e toca o primeiro blues da noite, percebe-se porque a sua guitarra faz a sonoridade dos Aerosmith. Enquanto isso Tyler beija a gaita e a dupla inventa um bom momento, parecendo que não estão quase sem se falar. É o instante em que os teclados se ouvem finalmente e que se nota que o baixo também existia. Só que Perry põe-se a tocar com a guitarra nas costas e inflama a multidão. E aí todos pedem a faixa símbolo de uma certa grande época dos Aerosmith, Cryin'. Estaria feito e tudo o que viesse a seguir seria encore, por isso antes ainda houve tempo para que os sobreviventes do Rock norte-americano mostrarem que sabem tirar uns sons distorcidos das guitarras e entusiasmar a plateia e o balcão, repletos.

Depois foi a vez do tema do Armagedon, I don't want to miss a thing e lá vieram os telemóveis e substituírem os isqueiros. O momento romântico, antes do Come Together, dos Beatles... Há quem reclame das muitas versões interpretadas neste digressão. O que não acontece quando Perry põe a guitarra a tocar com o chão do palco a fazer de mão, ou quando Tyler arrota para o microfone e avança para Dude (looks like a lady), para terminar a noite em grande. Mas ainda havia mais, está no alinhamento. Tyler reaparece para tocar num piano branco. Desculpa-se tudo! É rock 'n' roll, com Perry a pular para cima do piano e avançarem para Dream On, momento em que tudo o que é metal vibra no pavilhão. Para tudo terminar com nuvens de fumo branco e uma chuva de confetti pelos ares. Fazem-se as apresentações da banda: Tom Hamilton, Joey Kramer, Brad Whitford, e Joe fucking Perry, diz o vocalista Steven Tyler, para se despedir com um "We love you do much! Goodbye".

A banda não acusa o peso dos seus 45 anos de estrada e ninguém ficou insatisfeito. Nem a polícia que rodeava de forma impressionante o pavilhão desde o meio da tarde e parece que evitou todos os pequenos excessos que se cometeram no interior, entre os que estavam em regressão emocional.

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