A vida tocante de Zé Mário Branco merecia este filme

"Mudar de Vida", de Nelson Guerreiro e Pedro Fidalgo, é um tributo tão autêntico que dá vontade de ouvir mais Zé Mário

Ele vem de perto, de muito perto. Zé Mário Branco próximo, bem próximo de nós. Finalmente estreia, depois de uma passagem no IndieLisboa há dois anos, a versão alargada de uma média-metragem já exibida na RTP. Um documentário de guerrilha, feito sem meios, sobre um dos maiores nomes da música nacional.

Nelson Guerreiro e Pedro Fidalgo ganharam confiança com o homem e conseguiram esse efeito de proximidade. Meteram as mãos na massa e desde 2005 até 2014 seguiram--no para todo o lado e souberam sempre dar um sentido próprio às imagens de arquivo.

É um Zé Mário muito engagé. Militante com a música, com a vida e com o social. Do presente ao passado, do passado ao presente. Mudar de Vida - José Mário Branco, Vida e Obra claro que não inventa no método: a história da sua vida e... a obra desde a infância até aos nossos dias. Tem uma matéria-prima única, em especial um espólio de imagens em França, nos anos 1970, antes do 25 de Abril, que impressiona. E tem uma energia violenta na montagem. Tão violenta como o desencanto que o músico partilha com o estado de Portugal décadas após a revolução que ele tão bem cantou.

Comovente em muitos aspetos, não vai mais longe por abusar dos depoimentos. Enquanto alguns documentaristas não souberem dar a volta à praga das talking heads, o cinema português não muda de vida. Mas a devoção sincera de Guerreiro e Fidalgo compensa em muito esse "defeito", bem como a pobreza do som em algumas entrevistas (mas como não era para ser um filme "bonitinho", menos mal...). Nota-se que é um tributo de fã, tão autêntico que saímos da sala com vontade de ouvirmos mais a música de Zé Mário. Nesse aspeto, de notar a opção de se prolongar os momentos musicais e pessoais. Trata-se de uma firmeza em não ser "à pressa" ou chapa televisiva. Existe um tempo cinematográfico no evocar a memória. Porque olharmos para o nosso passado pede disponibilidade temporal. Isso é muito bonito.

Claro que não inventa no método: a história da sua vida e... a obra desde a infância até aos nossos dias. Tem uma matéria-prima única, em especial um espólio de imagens em França, nos anos 1970, antes do 25 de Abril, que impressiona. E tem uma energia violenta na montagem. Tão violenta como o desencanto que o músico partilha com o estado de Portugal décadas após a revolução que ele tão bem cantou.

Comovente em muitos aspetos, não vai mais longe por abusar dos depoimentos. Enquanto alguns documentaristas não souberem dar a volta à praga das talking heads, o cinema português não muda de vida. Mas a devoção sincera de Guerreiro e Fidalgo compensa em muito esse "defeito", bem como a pobreza do som em algumas entrevistas (mas como não era para ser um filme "bonitinho", menos mal...). Nota-se que é um tributo de fã, tão autêntico que saímos da sala com vontade de ouvirmos mais a música de Zé Mário. Nesse aspeto, de notar a opção de se prolongar os momentos musicais e pessoais. Trata-se de uma firmeza em não ser "à pressa" ou chapa televisiva. Existe um tempo cinematográfico no evocar a memória. Porque olharmos para o nosso passado pede disponibilidade temporal. Isso é muito bonito.

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