A tribo do Sudoeste regressa a casa com a barriga cheia

O festival terminou ontem. Sábado foi o dia de maior enchente, com 48 mil pessoas a encherem o recinto para verem Sia.

Foi uma noite histórica, a que se viveu sábado no Meo Sudoeste. Pelo calor, a fazer esquecer o habitual vento e frio, pelo fogo-de-artifício a festejar a vigésima edição, mas especialmente pelo concerto de Sia, se é que assim se pode chamar à performance cénica da artista australiana, que levou 48 mil pessoas à Herdade da Casa Branca, naquele que foi o dia mais concorrido do festival. Mas vamos por partes, porque não é todos os dias que se assiste a um espetáculo assim. Sozinha, cantando sobre um fundo sonoro pré-gravado, Sia permaneceu imóvel a um canto, enquanto dava todo o protagonismo ao corpo de bailarinos que a acompanhava e replicava em palco, com total exatidão, as imagens dos vídeos, também eles pré-gravados, exibidos nos ecrãs gigantes.

Confuso? Para o público também foi, que demorou a perceber que o que passava nos ecrãs não era propriamente o que estava a acontecer em palco, mas parecia, tal a exatidão de todos os movimentos e dos parcos cenários - uma mesa ou uma cadeira, sempre num ângulo certo. Só mesmo quando se reconheceram no vídeo as caras do ator americano Paul Dano e da sua compatriota e também atriz Kristen Wiig, é que muitos compreenderam o que estava a acontecer. Sim, foi um concerto, mas também foi uma performance, que misturou música, teatro e dança para contar uma história sob a forma de canções. E são elas, independentemente do modo como foram apresentadas, que o público quer ouvir - e cantar.

Começou com Alive, escrita para Adele, e continuou com Diamonds, um êxito popularizado por Rhianna, mas também da sua autoria, mas foi só quando se ouviu o começo de Cheap Thrills, um dos grandes sucessos deste verão, que o público realmente acordou. E assim continuou até ao final, entoando em coro temas como Elastic Heart ou Chandelier, enquanto Sia permanecia, imóvel, lá ao fundo, de onde se despediu no final com um simples "obrigado", antes de desaparecer de vez na escuridão do palco.

Antes, já haviam passada pelo palco principal do Meo Sudoeste Diogo Piçarra e James Morrison. E se o segundo fez exatamente o que se esperava neste seu regresso ao Sudoeste, embalando o público com a sua voz rouca e baladas como If You Don"t Wanna Love Me ou You Give Me Something, o primeiro foi claramente uma das grandes e mais agradáveis surpresas da noite. Não só pelo modo eufórico como foi recebido pela ala feminina do público, mas especialmente por ter mostrado que o seu universo musical não se limita a um par de baladas com potencial para novelas. O cantor algarvio, antigo vencedor do programa Ídolos, começou por surpreender com a versão do samba Mas Que Nada, dando o mote para um concerto no qual se assumiu como um dos mais sólidos (e ecléticos) artistas da nova geração da pop nacional. A prova disso mesmo está, por exemplo, nos convidados com que se fez acompanhar. Gente como Isaura, na interpretação da balada Meu É Teu, do rapper algarvio, e o amigo RealPunch ou do coletivo Karetus, com quem colabora regularmente e cuja eletrónica se lhe juntou na última parte do concerto, dando uma nova roupagem, bem mais arriscada, ao êxito Tu e Eu.

Quase ao mesmo tempo, mas no Palco Santa Casa, um outro português, de seu nome João Pedro Pais, era também protagonista, ao conseguir a maior enchente neste espaço de todo o festival. Um pouco mais além, no parque de campismo, a animação não é menor. São muitos os campistas que adiam até à última hora (leia-se até à chegada do DJ) a entrada no recinto, multiplicando-se as festas ou os concertos improvisados um pouco por todo lado. Poucos, no entanto, conseguiram bater o potente sistema sonoro daquela tenda cor de laranja, situada junto a um dos chuveiros, onde noite após noite se juntavam dezenas de pessoas a dançar.

"Mais um recorde de público", diz Montez

Durante os cinco dias de festival terão passado pela Herdade da Casa Branca "cerca de 200 mil pessoas", afirmou Luís Montez ao DN, numa altura em que faltavam apurar os números do último dia. "Correu tudo muito bem e estou convencido que iremos bater mais um recorde de público", referiu o patrão da Música no Coração, a empresa que desde 1997 organiza o Sudoeste. Aproveitou também para revelar as datas da edição do próximo ano, que irá realizar-se entre 2 a 6 de agosto. "Queremos celebrar os 20 anos com uma grande festa e a partir de setembro começamos já a trabalhar nisso", revelou Luís Montez, elegendo o concerto de Damian Marley como "o momento alto" do festival. "Já tinha saudades de ouvir reggae no Sudoeste".

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