A rentrée do cinema com muitos americanos... e não só

Os americanos surgem já a pensar na corrida aos Óscares, mas não faltam títulos de outras origens, incluindo Portugal

Há uma desconcertante ironia no modo como nos referimos à rentrée cinematográfica. Numa espécie de cega inocência cinéfila, continuamos a aplicar a palavra francesa para designar um fenómeno de mercado dominado pela indústria dos EUA e, mais especificamente, pelo calendário de Hollywood. Mais do que isso: a própria noção de rentrée foi sendo contaminada pela proximidade da temporada de prémios, desembocando, precisamente, nos Óscares de Hollywood (cuja próxima cerimónia, marcada para 4 de março de 2018, será a n.º 90).

Este ano, como sempre, os meses de novembro e dezembro deverão revelar nas salas dos EUA vários dos títulos que poderão estar entre os principais nomeados para os prémios da Academia de Hollywood (quase todos agendados para o princípio de 2018 na Europa). Será o caso de All the Money in the World, thriller assinado por Ridley Scott, The Papers, drama de Steven Spielberg inspirado em factos verídicos sobre as relações entre jornalismo e poder político, e ainda o muito aguardado novo filme de Paul Thomas Anderson sobre os bastidores de moda londrina na década de 1950 (ainda sem título), anunciado como o derradeiro trabalho do ator Daniel Day-Lewis.

Dito isto, convém não simplificar o panorama. Por um lado, porque, apesar de tudo, a diversidade da oferta é um facto indesmentível; por outro lado, porque essa diversidade integra uma quantidade significativa de títulos portugueses.

E que dizer das "franjas" do mercado? Por exemplo, tendo em conta que um dos grandes acontecimentos do verão cinematográfico é a reposição de dois musicais clássicos de Jacques Demy - Os Chapéus de Chuva de Cherburgo (1964) e As Donzelas de Rochefort (1967) -, será que vamos continuar a ter uma oferta significativa no domínio das reposições com cópias restauradas?

A pergunta é tanto mais interessante quanto há que reconhecer que a amostragem de títulos mais ou menos "antigos", quase sempre em cópias de magnífica qualidade, tem vindo a ganhar um peso cada vez mais significativo no espaço televisivo (em especial nos canais de cabo). E se é verdade que muitos falam de uma redução significativa do mercado do DVD e Blu-ray, não é menos verdade que nele tem havido um importante crescimento da oferta de obras clássicas. Apesar de tudo, a cinefilia anda por aí...

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