A pop certinha de Shawn Mendes volta a Lisboa

Aos 18 anos, Shawn Mendes regressa a Portugal - país do pai - com a digressão do segundo álbum de originais, "Illuminate". Pop para adolescentes de um adolescente que cultiva a normalidade e a proximidade para com os fãs. Quanto a bilhetes, já só há "silver vip", a 151 euros.

Para quem começou a ganhar fãs em todo o mundo com vídeos de seis segundos, um ano é uma imensidão. É a diferença entre ser menor ou maior de idade e de ter um álbum ou dois na bagagem. Shawn Mendes cresceu e a sua base de admiradores também: no regresso do canadiano ao Meo Arena, 367 dias depois, a sala Tejo foi trocada pelo recinto principal. Os bilhetes para o espetáculo de quarta-feira encontram-se esgotados, exceto os chamados silver vip, os quais dão direito a entrar mais cedo e acesso a um encontro com o próprio.

A proximidade com os fãs faz parte do ADN de Mendes. Ele é o fenómeno acabado de estrela nascida e alimentada nas redes sociais e estas são ao mesmo tempo o seu sonho e pesadelo. "O meu maior medo é que um dia apareçam menos pessoas (aos concertos) ou que menos pessoas gostem de um twitt. O que é curioso de dizer, mas é verdade", revelou à Rolling Stone.

E por falar em honestidade e franqueza, há no rapaz de ascendência anglo-portuguesa um paradoxo que o torna único. Por um lado, fez-se conhecido no Vine e no YouTube com versões de outros músicos mas foi capaz de se tornar autor, não deixando de demonstrar admiração por Ed Sheeran e John Mayer; por outro, mantém a simplicidade da sua imagem e dos temas sobre os quais versa. "Eu não escreveria sobre o que não acredito. Eu não escreveria sobre drogas ou álcool porque sinceramente não acredito nessas coisas. Mas se eu acreditasse eu escreveria sobre elas. Eu não escrevo apenas canções sobre a minha vida mas sobre todas as pessoas à minha volta, com a minha idade, porque se ligam."

Amores e desamores, as crises de crescimento e o quotidiano da escola (que abandonou para se dedicar à música) são recorrentes nas letras de Shawn Mendes. "É espantoso que desde o dia em que o conheci, quando ele tinha 15 anos, até hoje, com um sucesso crescente, nada o mudou", disse à Rolling Stone o seu agente, Andrew Gertler, que descreve o seu cliente como "naturalmente talentoso".

De facto, custa a acreditar para quem só pegou numa guitarra seis meses antes de começar a postar vídeos e hoje esgota concertos em minutos e tem milhões de seguidores nas redes sociais. Até ao próprio. No ano passado não escondia a surpresa e a ansiedade em lidar com tudo o que estava a acontecer. "É muito difícil cumprir as expectativas. Tem sido um grande stress na minha vida. Nunca pensei que fosse bom o suficiente e só hoje começo a sentir que mereço. Sentia que havia muitas pessoas com talento que deviam estar onde estou".

Mas as dúvidas terão ficado para trás com a gravação de Illuminate e a consequente digressão, que passa por Portugal na próxima quarta-feira. Shawn é o segundo canadiano lusodescendente a singrar na música, depois de Nelly Furtado. Nascido em Toronto, é filho de um emigrante português, Manuel Mendes, e de mãe inglesa, Karen.

A primeira atuação ao vivo aconteceu no centro de Lagos, durante umas férias de verão, quando tinha 14 anos. A história foi revelada na Notícias Magazine, em 2015. "Os meus pais andavam por ali a fazer compras e eu fui para o centro de uma praça. Pus-me a cantar em voz alta uma música do Bruno Mars. As pessoas pararam, ficaram a assistir, no final aplaudiram. Pronto, correu bem."

Aos comandos da produção do seu segundo disco ficou o britânico Jake Gosling, que tem no currículo, entre muitos outros, Ed Sheeran ou One Direction. "É o número um a pegar no que acreditas e a fazê-lo otimamente. Ele pegava nas ideias e transformava-as em canções", contou Mendes à Vogue. As gravações decorreram num estúdio numa casa de campo no estado de Nova Iorque e foram uma experiência de vida para o jovem músico.

Ainda não cumpriu o sonho de trabalhar com John Mayer, mas este deu-lhe "grandes conselhos" em relação a três temas. Illuminate chegou a número um na tabela de vendas dos Estados Unidos (Billboard 200) na semana de lançamento. Shawn Mendes entrou para o restrito clube de artistas teenagers com os primeiros dois álbuns no número um, ao lado de Miley Cirus, LeAnn Rimes, Hilary Duff e Justin Bieber. Deste último Mendes ouviu e continuará a ouvir comparações, porque ambos são estrelas pop canadianas. Mas são mais as diferenças do que as semelhanças.

Shawn Mendes não quer ficar-se pela música. Está a escrever material para um terceiro disco e tem lições de canto, mas sonha com o dia em que possa representar. O mais próximo que esteve foi na banda sonora de um filme da Disney. O seu tempo há de chegar. "Patience", como o título de uma canção sua.

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