A história de vida de Oscar Grillo em cem desenhos. E o ano de 2017

Com o Celeiro da Patriarcal prestes a entrar em obras, a 19ª edição da Cartoon Xira muda-se neste ano para a beira-Tejo, tomando conta de parte da zona de leitura e da galeria de exposições da Fábrica das Palavras, a biblioteca municipal de Vila Franca, inaugurada em 2014. Cem cartoons contam a história do argentino Oscar Grillo e outros tantos recordam o ano de 2017.

Um grande sorriso. A mão sobre a barba branca e a exclamação: "Que vergonha. Eu tinha 16 anos." À sua frente, Oscar Grillo tem Quarto de Tango, o seu trabalho mais antigo de entre os cem que dão corpo a Desenhos Desordenados, exposição que é inaugurada hoje, às 18.00, no arranque da 19.ª Cartoon Xira, mostra que passa em revista o humor gráfico na imprensa nacional durante o ano de 2017.

Ao contrário do que o título possa sugerir, a exposição tem uma ordem cronológica, começando precisamente com esse trabalho de 1960 e terminando com O Irmão Mais Novo de D. Corleone, de 2017, ambos a tinta da china. "A tinta da china é tóxica, mas gosto do cheiro. E uso sempre tinta vinda mesmo da China", conta o cartoonista argentino, já em frente ao conjunto de desenhos que encerram a sua exposição. "Eu gosto de desenhar. Fazer riscos, linhas, livremente, de forma espontânea. E não penso nisso como uma arte. Mas agora, aqui a olhar para estes desenhos... Gosto, e há uma continuidade, um estilo. Quando desenho nunca penso que tenho uma identidade própria. Mas..." A celebrar 75 anos no próximo dia 24 de março, Oscar Grillo continua a desenhar todos os dias: "Trabalhei toda a minha vida com animação, ilustrei muitos livros infantis e livros de poesia de grandes poetas. Ilustrei A Tempestade, de Hamlet. E agora, que já não preciso de desenhar como trabalho, continuo a desenhar. À noite, sento-me no sofá, a ver televisão, e desenho. Coloco um tabuleiro sobre os joelhos e desenho."

O sofá está na sua casa, em Londres, onde está radicado desde 1971. Foi aí que o cartoonista António, curador da Cartoon Xira, passou um dia inteiro - "e mesmo de manhã à noite, abrimos caixas e caixas e caixas, e não abrimos todas", conta -, para chegarem à seleção de cem desenhos que "contam a história de uma vida em desenhos, a vida do Oscar Grillo, a forma como começou, como evoluiu". Para espreitar em cada recanto do adaptado espaço de leitura da Fábrica das Ideias, a biblioteca municipal de Vila Franca de Xira.

Na galeria de exposições, lugar aos cartoons de 2017. Cem trabalhos de António, José Bandeira, Carlos Brito, André Carrilho, Augusto Cid, Cristina Sampaio, Vasco Gargalo, António Jorge Gonçalves, António Maia, Henrique Monteiro, Rodrigo de Matos e Cristiano Salgado passam em revista o que de mais relevante aconteceu no ano passado. Partindo dos cartoons enviados pelos ilustradores, António foi criando famílias de desenhos relacionados com a mesma temática. E criou uma narrativa contada em doze capítulos. "O Mundo é Pequeno", abre as hostilidades, com o cartoon Os Rohingya de Myanmar, de André Carrilho, a ganhar destaque na parede pintada de negro. "Gosto muito do trabalho dele. Como se diz em castelhano, a este rapaz não lhe falta uma mão", comenta Oscar Grillo. O brexit, a Ameaça da Coreia do Norte, Eleições europeias e extrema direita, Catalunha separatista, Fogos trágicos, Heróis nacionais, Evolução e Etc. e tal, são os capítulos que completam a exposição.

Informação útil
Cartoon Xira
Fábrica das Palavras, Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira
Até 8 de julho. Todos os dias. Entrada livre.

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