51 edifícios de Porto, Matosinhos e Gaia para descobrir

Porto Open House realiza-se a 18 e 19 de junho, com entrada gratuita. Visitas de balão são uma das novidades deste ano

Para os que conhecem (ou julgam que conhecem) bem a sua cidade, ou para quem não é destas paragens, nos dias 18 e 19 de junho, pelo segundo ano consecutivo, a arquitetura vai estar de portas abertas no Porto, em Vila Nova de Gaia e Matosinhos - à semelhança do que decorrerá em Lisboa, na primeira semana de julho.

A segunda edição do Porto Open House, ontem apresentada no edifício dos paços do concelho do Porto (que tal como as câmaras de Gaia e de Matosinhos também fazem parte do programa, ver coluna ao lado), propõe que cada visitante explore desde monumentos a edifícios e infraestruturas no fim de semana que antecede os festejos do São João nos três municípios que compõem a Frente Atlântica.

Se o traço reto da Torre do Burgo (de Eduardo Souto Moura) ou curvilíneo do Terminal de Cruzeiros de Leixões (de Luís Pedro Silva) são expectáveis e até repetentes no programa, há também um significativo conjunto de espaços inusitados a visitar, como o Cenáculo do Espírito Santo, templo recentemente construído e de dimensões gigantescas da Igreja Universal do Reino de Deus, ou mesmo o Parque de Material e Oficinas e o Posto de Comando Central do Metro do Porto, que habitualmente estão interditados ao público.

Este ano, o número de locais a visitar sobe dos 42 para os 51, haverá 61 guias especializados e 160 voluntários, sendo expectável que os números superem os onze mil visitantes da primeira edição.

Para lá do roteiro, entre as novidades está a possibilidade de subir num balão de ar e "na era do Google Earth e dos drones" ver a cidade noutra perspetiva, mais romântica, mas também em particular mostrar a arquitetura da forma mais abrangente possível. Por isso mesmo, foram criadas duas visitas sensoriais inclusivas: uma para invisuais ao Palácio do Bolhão, em colaboração com a ACAPO, e outra ao Mosteiro da Serra do Pilar com tradução para língua gestual, em parceria com a associação Hands To Discover. Além destas iniciativas, a Provedoria dos Cidadãos com Deficiência, da Câmara do Porto, e a associação Design Includes You avaliarão a experiência dos visitantes do Open House para tentarem introduzir melhorias em termos de acesso para cidadãos de mobilidade reduzida em próximas edições.

Tudo gratuito. No entanto, em alguns locais, onde a lotação é limitada ou os horários são condicionados, é necessária inscrição prévia através do site www.openhouseporto.com.

A pensar em todos

O objetivo é criar um programa eclético e durante dois dias fazer a festa da arquitetura, atraindo não só especialistas mas o cidadão comum, como explicou Jorge Ferreira, que coadjuvado por Carlos Machado e Moura sucede a Pedro Bandeira como comissário do evento.

"Esta festa da arquitetura é uma homenagem às três cidades. Fizemos um programa pensado para quem vive cá numa iniciativa que pretende ser democrática e aberta ao público. Desde logo procuramos dar a conhecer monumentos contemporâneos, obras de grande impacto urbano e infraestruturas marcantes, mas também queremos que os visitantes conheçam projetos de reabilitação urbana ou de habitação social", explicou Jorge Ferreira.

Por sua vez, Nuno Sampaio, um dos responsáveis da comissão executiva da Casa da Arquitetura, salientou que o objetivo é desde logo respeitar o conceito Open House, criado em 1992 em Londres, de tentar ao máximo "levar a arquitetura ao grande público" através de propostas muito distintas entre si. José Mateus, presidente executivo da Trienal de Arquitetura de Lisboa, corrobora a missão de "pensar de raiz para o público em geral e não apenas para especialistas em arquitetura" e é nestes alicerces que assenta desde logo a base do sucesso da primeira edição do evento organizado pela Casa da Arquitetura e pela Trienal em parceria com os três municípios.

Nas palavras do comissário Jorge Figueira, "visitar uma cidade que se pensa conhecer (ou desconhecer), passa por entrar nela de um modo inesperado ou simplesmente entrar por uma porta aberta. Este é o modo Open House." Quem entrar nele pode, de facto, passar a conhecer melhor a sua cidade.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG