O mar do Porto e outros infinitos por Wolfgang Tillmans

O fotógrafo alemão capta fenómenos da natureza. Garante que não manipula as imagens. Está em Serralves

Os passos descontraídos e o olhar curioso do fotógrafo alemão Wolfgang Tillmans conduzem-nos numa viagem pelas imagens que captou, patentes na mostra No Limiar da Visibilidade, entre hoje e 25 de abril, no Museu Arte Contemporânea de Serralves, no Porto. Não é a primeira vez que está em Portugal (esteve no Fórum do Futuro, no ano passado), mas trata-se de uma estreia de uma mostra sua por cá. Não esconde, por isso, a emoção enquanto seleciona algumas das imagens, entre elas uma enorme tela com o mar que fotografou, quando esteve no Porto, em 2015.

"Ainda esta manhã dei o último toque na exposição. Mas quando está feito, está. Nunca quero mudar nada", diz o fotógrafo enquanto conduz os presentes numa viagem pelas fotografias e instalação de vídeo que procurou combinar com o contexto arquitetónico do imagens de Serralves. Instalou as fotografias e o vídeo tendo em conta disposição espacial, não apenas sobre e entre as paredes, mas também em relação com os diferentes volumes e da luminosidade do espaço.

Tillmans, de 47 anos, acabaria por dizer não saber "quantas imagens tem esta exposição que mostra o céu, água, nuvens, oceano". Mas, realça, "não é uma exibição sobre o céu, água, nuvens e oceano. É, sim, sobre o que se pode ver, o que se nota ou não, o que a câmara pode captar, sobre o finito e infinito de cor e de informação, ou o "congelar" um momento". O fotógrafo fala sobre a ideia do infinito, "do existir mais do que se pode ver, e a forma de estar em paz e não stressado".

Numa viagem pelo mundo visto através do seu olhar e agora transmitido ao público, o artista deixa bem claro que as fotografias são "tal e qual" como as captou, sem serem manipuladas. "Não manipulo fotografias. Sei que é ridículo, mas nem sequer sei usar o programa Photoshop para as tratar", garante. Porque, diz ele: "Quero que confiem no meu trabalho, que olhem e vejam que é o que é". Define-se, por isso mesmo, como "um fotógrafo analógico" nas suas fotografias a preto e branco ou a cores, espalhadas pelas paredes de várias salas do museu.

Wolfgang Tillmans que, em 2000, se tornou o primeiro fotógrafo e artista não britânico a receber o Turner Prize, um dos títulos mais prestigiados da arte contemporânea, diz que "usa a fotografia como modo de arte". Aliás, conta, "as fotografias são objetos, pigmentos no papel, uma janela para o mundo".

Paisagens verticais

E, afinal, o que mostra este artista alemão, considerado o mais importante retratista do nosso tempo? E qualificado como "um dos mais influentes e interessantes fotógrafos da atualidade" por Suzanne Cotter, diretora do museu e comissária desta exposição? "Fotografias do mar, do céu", com fenómenos naturais da luz que "traduzem o potencial expressivo do apurado formalismo visual" do artista. "A luz é muito importante no meu trabalho. Nunca perde o meu fascínio", explica Wolfgang Tillmans enquanto aponta para algumas imagens expostas na parede. Também se preocupa com a distribuição da cor na imagem que capta com a máquina fotográfica. E descreve as imagens como as suas Paisagens Verticais, fotografias dos fenómenos naturais da luz quando o dia encontra a noite, o céu encontra a terra, a nuvem encontra o céu.

Enquanto aponta para uma outra imagem - "uma natureza morta" com objetos com vários tons de vermelho numa mesa -, Tillmans explica que esta foi a sua inspiração para o título da exposição. O que alude ao seu constante testar das possibilidades expressivas da disciplina da fotografia. O artista gosta de se interrogar sobre os limites e o que existe para além deles.

De 1980 aos dias de hoje

Em exposição estão fotografias fotocopiadas de Tillmans dos finais dos anos 1980 até uma série de obras icónicas dos anos 1990, além de outras mais recentes, captadas com uma câmara digital nas décadas de 2000 e 2010. Como um Amazon, de 2013, impressão a jato de tinta sobre papel. Ou Leaving Haiti (partida do Haiti), 2010, ou uma imagem de 1995 - Fire Island (Ilha de Fogo).

Refira-se, por exemplo, a fotografia de pilhas de destroços de embarcações norte-africanas usadas por migrantes na praia em Lampedusa (2008) e a imagem de um barco da guarda costeira no porto de Lampedusa, Guardia di Finanza (2008).

Segundo a presidente do Conselho de Administração da Fundação Serralves, "esta exposição é um dos momentos mais esperados da programação de 2016 do Museu". Ana Pinho realçou o "grau de interesse que a obra [de Wolfgang Tillmans] desperta".

wolfgang tillmans

Até 25 de abril de 2016

Das 10.00 às 18.00 de terça a sexta, das 10 às 19.00 aos sábados, domingos e feriados

8,5 euro (inclui entrada no parque)

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