Zelensky diz que uso de drones do Irão mostram "falência militar" da Rússia

Nos últimos dias, Kiev denunciou repetidamente o uso de drones de fabrico iraniano por parte das forças russas, para atacar a infraestrutura civil de energia na Ucrânia.
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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse esta terça-feira que a utilização generalizada de drones de fabricação iraniana por parte da Rússia nos ataques recentes à Ucrânia é um símbolo da "falência militar e política" do Kremlin.

"O próprio facto de a Rússia ter apelado ao Irão por tal ajuda é o reconhecimento por parte do Kremlin da sua falência militar e política", disse Zelensky no seu discurso diário.

"Estrategicamente, isso não os vai ajudar de qualquer maneira. Isso só prova ainda mais ao mundo que a Rússia está a caminho da derrota e está a tentar atrair mais alguém para ser cúmplice no terror", acrescentou o governante.

Nos últimos dias, Kiev e os seus aliados denunciaram repetidamente o uso de drones de fabrico iraniano por parte das forças russas, para atacar a infraestrutura civil de energia na Ucrânia.

O Irão afirmou esta terça-feira estar disposto a dialogar com Kiev para clarificar as alegações "sem fundamento" sobre o fornecimento à Rússia por Teerão de armas e drones utilizados na ofensiva russa contra a Ucrânia.

Também esta terça-feira, o Kremlin (Presidência russa) afirmou não ter conhecimento da utilização dessas armas pelo Exército russo.

Ao considerar tais afirmações "sem fundamento" e "baseadas em falsas informações", o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Nasser Kanani, assegurou, num comunicado, que "o Irão está pronto para negociar e discutir com a Ucrânia para solucionar estas acusações".

"As afirmações segundo as quais a República Islâmica envia armas, incluindo 'drones' de combate, para serem utilizadas na guerra na Ucrânia" são "falsas", declarou o ministério.

Após diversos ataques dos chamados 'drones' 'kamikaze' sobre Kiev, a Ucrânia pediu na segunda-feira à União Europeia (UE) que impusesse novas sanções a Teerão.

Esta terça-feira, o chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, sugeriu ao Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a rutura das relações diplomáticas com o Irão. Zelensky não se comprometeu com uma decisão, mas assegurou que vai levar a cabo uma "reação internacional apropriada".

Segundo Kuleba, Teerão forneceu 'drones' iranianos à Rússia "dizendo-nos que é contra a guerra e que não apoia nenhuma das partes".

Nos últimos dias, Kiev denunciou por diversas vezes a utilização pela Rússia de 'drones' de fabrico iraniano, em particular os Shahed 136 'kamizake', para atacar infraestruturas energéticas civis na Ucrânia.

Para justificar a sua proposta a Zelensky, o chefe da diplomacia ucraniana sublinhou ainda "o surgimento de relatórios sobre o possível fornecimento de armas pelo Irão à Rússia", e após a publicação de artigos em diversos 'media' que apontam a entrega para breve de mísseis iranianos terra-terra às tropas de Moscovo.

O ministério iraniano considerou que as alegações sobre os fornecimentos de armamento se inserem numa "intencional instauração, com objetivos políticos e pelos 'media' de certos países, de um clima" hostil a Teerão.

"A República Islâmica, desde o início do conflito, sempre sublinhou a necessidade de pôr termo e resolver os diferendos por meios pacíficos", acrescentou o porta-voz.

Em setembro, a Ucrânia já tinha reduzido a presença diplomática iraniana no país, em represália por alegadas entregas de armamento de Teerão a Moscovo.

Cerca de meia centena de ucranianos e iranianos estão concentrados esta terça-feira à noite em frente à embaixada do Irão, em Lisboa, para protestar contra o fornecimento de armas por parte do Irão ao regime russo.

"Slava Ukraine", "Iran drones kills Ukraine" [drones iranianos matam na Ucrânia], "Putin terrorista" e "mulher, vida, liberdade", são algumas das palavras de ordem que se podem ler nos diversos cartazes empunhados por cidadãos ucranianos e iranianos nesta iniciativa conjunta de protesto.

"Os ucranianos não estão contra o povo do Irão, mas sim contra o regime fascista tal como o de Vladimir Putin", afirmou Pavlo Sadoka, presidente da associação de ucranianos de Portugal, promotora da iniciativa.

Yasea, um iraniano de 35 anos residente em Portugal há oito anos, disse à agência Lusa que "com este protesto pretendem que o embaixador do Irão em Portugal seja expulso porque não se sentem seguros".

Segundo a associação que promoveu o protesto, "o Irão é um estado totalitário que ajuda o regime de Putin quando entrega mísseis balísticos aos fascistas de Moscovo e drones-kamikaze e um país onde as mulheres são mortas apenas pela maneira como se vestem".

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro deste ano, desencadeando uma guerra que mergulhou a Europa naquela que é considerada a mais grave crise de segurança desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.306 civis mortos e 9.602 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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