A Rússia voltou a castigar a Ucrânia com um bombardeamento de sul a norte e de oeste a leste do país, tendo usado mísseis de cruzeiro, drones e até mísseis hipersónicos, tendo matado pelo menos dez pessoas e voltado a destruir infraestruturas, o que obrigou a central nuclear de Zaporíjia a ser desligada da rede durante umas horas. O ataque, que atingiu dez regiões, foi considerado pelo presidente ucraniano o retomar de "táticas miseráveis" por parte de Moscovo.."O inimigo disparou 81 mísseis numa tentativa de intimidar novamente os ucranianos, regressando às suas táticas miseráveis. Os ocupantes só conseguem aterrorizar os civis. É tudo o que eles são capazes de fazer", denunciou Volodymyr Zelensky..Kiev diz que a defesa antiaérea abateu 34 mísseis em 81 e quatro em oito drones, o que representa uma queda na taxa de sucesso da defesa em relação aos dados relativos aos ataques anteriores. Em parte pode explicar-se pelo facto de a Rússia ter disparado seis mísseis Kinzhal, hipersónicos. Um deles atingiu a capital e 40% da população de Kiev, segundo o presidente da câmara, ficou sem aquecimento..Os ataques, realizados por terra, ar e mar, mataram pelo menos cinco pessoas em Lviv, quatro em Kherson - numa paragem de autocarro - e outra em Dnipro. Além disso, segundo o primeiro-ministro, Denys Shmyhal, o "ataque maciço de mísseis" à Ucrânia "foi dirigido contra o sistema energético". Os ataques levaram a cortes no abastecimento de energia uma vez que foram atingidas instalações de geração e de distribuição em oito regiões.."Eles [russos] tentaram destruí-lo [sistema de energia] novamente. E, mais uma vez, falharam", disse o chefe do governo ucraniano. A empresa DTEK Energo comunicou que três centrais térmicas suas foram danificadas, uma delas de forma grave..Também resultado do ataque, a central nuclear de Zaporijia teve de ser desligada da rede principal durante horas, o que levou o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica a lançar uma nova advertência. "[Sempre que há bombardeamentos] jogamos aos dados. Se permitirmos que isto continue uma e outra vez, um dia a nossa sorte acabará", disse Rafael Grossi..Moscovo justificou o ataque como uma retaliação ao estranho incidente que ocorreu na semana passada na região fronteiriça russa de Bryansk. Homens que se identificaram do Corpo de Voluntários Russo alegaram ter tomado uma aldeia. Mais tarde, as autoridades russas disseram que duas pessoas, entre elas uma criança, foram mortas a tiro, o que levou Putin a denunciar o "ato terrorista", que atribuiu a ucranianos..No pingue-pongue de ataques e retaliações, Kiev anunciou a destruição, no leste do país, e com a respetiva prova em vídeo, de dois sistemas de mísseis antiaéreos russos TOR M2 e S-300VM através de drones kamikaze. "Em resposta a cada "ataque de mísseis de retaliação" russo, atacaremos de forma realmente vingativa para destruir os ocupantes, as suas bases e o seu equipamento", disse o Serviço de Segurança da Ucrânia..Twittertwitter1633891649989541888.No dia em que a Polónia revelou já ter entregado 14 tanques Leopard 2 a Kiev, Varsóvia voltou a pôr em cima da mesa a hipótese de entregar alguns aviões MiG-29. O porta-voz da Força Aérea ucraniana, Yuriy Ihnat, agradeceu o gesto, e até sugeriu que possam servir para repor peças, todavia disse que a prioridade é receber aviões, caso dos F-16, "sobretudo para proteger os céus do terrorismo aéreo"..cesar.avo@dn.pt