Joaquim Gomes 'culpou' a "divina providência" pela chegada do contrarrelógio final da 84.ª Volta a Portugal em bicicleta ao Santuário de Santa Luzia, uma surpresa revelada pelo diretor na apresentação da prova, esta quinta-feira..Notando que o Santuário de Santa Luzia é, "porventura, um dos mais magníficos palcos de final de etapas da Volta a Portugal", o diretor da mais importante prova velocipédica nacional disse atribuir "completamente quase à divina providência" o inesperado cenário do final da edição que decorre entre 09 e 20 de agosto.."Nós, durante os últimos três meses, tivemos enormes dificuldades [para fechar o percurso do contrarrelógio] e compreendemos os critérios utilizados e que motivaram o sucessivo parecer desfavorável do comando da PSP de Viana do Castelo, atendendo a que tinham em simultâneo um grande evento, com uma estimativa de 300 mil pessoas nesse dia a acompanhar a Procissão ao Mar, um dos principais eventos, senão o principal, das Festas da Senhora d'Agonia", referiu..O adiamento das datas da Volta a Portugal, motivado pela Jornada Mundial da Juventude, fez com que o final da prova coincidisse com o principal dia das Festas d'Agonia, ponto alto das festividades em Viana do Castelo..Após uma reunião esta quarta-feira, véspera da apresentação do percurso da 84.ª edição, Joaquim Gomes teve finalmente 'luz verde' para que o contrarrelógio que definirá o sucessor do uruguaio Mauricio Moreira (Glassdrive-Q8-Anicolor) no palmarés dos vencedores terminasse no ponto mais alto daquela cidade minhota.."Numa reunião em Lisboa, no âmbito do sistema de segurança interna, em que estiveram representantes da Direção Nacional da PSP e inúmeras entidades que, no fundo, colaboram com a organização da Volta a Portugal, fizemos então, praticamente até às 10:00 da noite de ontem, uma última avaliação e finalmente aceitaram a minha proposta de fazermos a partida onde estava prevista, portanto, na Alameda 5 de Outubro, junto à Marina de Viana do Castelo, na Marginal", e terminar em Santa Luzia, detalhou..O diretor da Volta esclareceu que "o percurso do contrarrelógio vai ser ligeiramente aumentado, vai ter cerca de 18,2 quilómetros" -- ao contrário dos 16,3 hoje anunciados -, e "vai abraçar algumas das freguesias mais representativas fora da malha urbana da cidade, como Santa Marta de Portuzelo, Perre e Meadela".."E o ponto principal de toda esta questão é que vamos, então, poder finalizar a Volta no Santuário de Santa Luzia. Vai ser algo completamente brutal", defendeu, antecipando "milhares de pessoas a assistir à saída dos corredores" à partida do 'crono', com o final "a encerrar a edição desta Volta completamente em chave de ouro"..Embora ainda tenham de ser ultrapassadas "questões técnicas" para o sucesso desse contrarrelógio final, Joaquim Gomes acredita que a ascensão a Santa Luzia vai conferir "um cariz de cronoescalada" à última etapa.."Eu só consigo olhar para isso de forma positiva. Portanto, vai aumentar o índice de dificuldade do contrarrelógio. Depois de uma sucessão de etapas exigentes, e da etapa de véspera, talvez uma das mais difíceis da Volta a Portugal, com a ligação Paredes à Senhora da Graça, este contrarrelógio final, depois das dores de cabeça que tive durante todos estes meses, acho que é uma boa recompensa", assumiu..O antigo ciclista reconheceu que o percurso da Volta está condicionado "a questões económicas e aos 300 milhões de euros para colocar um evento com esta grandeza na estrada", mas defendeu que, com a manutenção dos "locais mais carismáticos", como a Torre ou a Senhora da Graça, "uma boa competitividade" está assegurada.."Nós tivemos que adotar muitas soluções para continuar a criar uma mancha considerável no território nacional. Uma delas foi deixar de ter como local de partida o local de chegada do dia anterior. [...] E outra solução é exatamente estas neutralizações entre as etapas. [...] E é por via destas neutralizações que, se vocês olharem para o mapa de Portugal, com todas as etapas desenhadas, permite ainda lembrar os áureos tempos da Volta a Portugal de três semanas. Eu não tenho outra solução", argumentou, referindo-se aos excessivos quilómetros de deslocação entre etapas desta edição..No entanto, Gomes admitiu que "é duro".."É duro para todos. Mas o ciclismo sempre foi duro", concluiu.