Visitar a serra da Estrela e dormir como na Mongólia

'Yurk', tradicional tenda mongol, é a palavra-chave do Vale do Rossim Eco Resort, parque de campismo ecológico, plantado no meio da serra.
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Há mais de 8000 quilómetros a separar Portugal da Mongólia, mas já é possível dormir numa habitação tipicamente mongol sem passar da fronteira. A palavra-chave, aqui, é yurk. É o nome das tendas tradicionais mongóis que a empresa Trilhos e Lagoas trouxe para a serra da Estrela e que são o ex libris do Vale do Rossim Eco Resort.

Júlio Barbas é o homem responsável por tudo isso. Em 2008, junto com um sócio - que entretanto abandonou o projecto -, decidiu tentar "revitalizar" o parque de campismo de Vale de Rossim, que estava ao abandono. O espaço, junto à nascente do rio Mondego e bem no centro desse "diamante de granito" que é a serra da Estrela, é "um local de paixão" do empresário. "Conheço isto desde que me conheço a mim próprio e custava-me muito ver a forma como foi utilizado nos últimos 15 anos", lembra o proprietário do Eco Resort, que decidiu meter mãos à obra para revitalizar a zona, que também tem uma praia fluvial "única no País".

Ora, como seria possível chamar visitantes para o resort, de forma cativante e sustentável? Com as yurks. "Já conhecia o conceito de yurk [uma estrutura de madeira, forrada de lona e com uma camada de lã pura que garante o isolamento térmico], mas nunca tinha pensado em trazê-lo para cá, até que apareceu a oportunidade, para dinamizar o parque e permitir que ele funcionasse o ano inteiro", conta Júlio Barbas. Foi Ricardo Megre (piloto de todo-o-terreno e filho do falecido José Megre, viajante que percorreu todos os países do mundo excepto o Iraque) quem lhe cedeu a primeira tenda. Essa serviu de modelo para as seis que agora ocupam o parque e que já foram construídas em Portugal e com recursos a produtos nacionais. E ainda há mais quatro a caminho: "Serão mais românticas e vocacionadas para um turismo de sensações, porque vão ter uma banheira junto à lareira (salamandra), uma caixinha com produtos típicos, uma garrafeira com os vinhos do Dão...", descreve o responsável.

"Mas basta abrir a porta para estar no meio da natureza", lembra. Afinal, esse é o outro encanto do Vale do Rossim Eco Resort, plantado no meio da serra, a 1400 metros de altitude e à beira de uma lagoa. "A yurk vive com natureza, é uma 'tocazinha', como dizia uma criança que nos visitou há tempos. Protege-nos, mas convive com a natureza à volta", aponta Júlio Barbas, preocupado em ter "a pegada ecológica mais pequena possível". Estas tendas, que "usadas há 5000 anos e que ainda hoje são a habitação tradicional da 80% da população da Mongólia", foram pensadas para aguentar condições climáticas extremas. E, além de estarem "adaptadas ao modo de vida ocidental (com electricidade, casa de banho e salamandra)", garantem "um isolamento térmico perfeito: com 14 graus negativos no exterior, há 28 no interior".

Resultado: são o alojamento perfeito para qualquer altura do ano. Até porque, apesar da procura forte no Verão e no Inverno, a Serra da Estrela ainda "é um local mágico por explorar, com condições óptimas para descobrir a natureza, no Outono e na Primavera", garante Júlio Barbas.

De resto, o Eco Resort é mais do que as tendas mongóis de feitio arredondado e ar acolhedor. Também há um spa, um bar lounge e um restaurante, que promove a gastronomia e os produtos regionais serranos. E a Trilhos e Lagoas recebe outros campistas e autocaravanistas, oferecendo-lhes percursos de BTT, desportos radicais e de natureza. Há ainda a praia fluvial, que Júlio Barbas sonha "dignificar", assim que as câmaras municipais que gerem o Parque Natural da Serra da Estrela lhe permitam fazê- -lo. Mas, ali, o que faz mesmo a diferença, são as yurks. Afinal, é lá que se pode dormir como se se estivesse a 8000 km distância...

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