Visitantes desafiam o frio e não perdem a Festa da Cereja

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Nem o frio nem as constantes ameaças de chuva foram capazes de desmotivar as centenas de pessoas que fizeram questão de marcar presença nos primeiros dias da Festa da Cereja que decorre em Alcongosta, concelho do Fundão, e onde até hoje devem comercializar-se cerca de 30 toneladas de cereja, esperando-se ainda mais de 15 mil visitantes.

Repetente na festa, Manuel Pinho, que, juntamente com a mulher e amigos de Ovar, realizou a visita com paragem obrigatória nas 60 tascas da feira que, refira-se, mais não são que os pisos térreos das casas dos alcongostenses.

"É surpreendente como estas pessoas transformam as suas casas em espaços tão agradáveis e nos recebem com tanta hospitalidade e animação. Parte do encanto da festa também reside neste pormenor", afiança Paulo Silva enquanto desafiava a mulher para provar a sangria de cereja.

Em apenas cinco anos, o certame já se tornou uma tradição para os populares que todos os anos dinamizam a festa, bem como para os seus visitantes, que, vindos um pouco dos quatro cantos do país, enchem as ruas da aldeia e contribuem para afirmar este evento como um dos mais concorridos festivais de cultura popular.

"Isto já deixou de ser uma festa, é uma verdadeira romaria, não há quem queira perder a oportunidade de participar na nossa festa, que vai muito para além da venda de cereja. Além da animação, que é uma constante, temos ainda o artesanato e as mil e uma iguarias que se fazem com base na cereja, nomeadamente, os licores, o pão de cereja, a sangria de cereja, as espetadas de cereja e chocolate ou até a caipirinha de cereja, entre tantas outras coisas que os 60 expositores (quase, quase todos de Alcongosta) aqui apresentam, "referiu ao DN Luís Martins, o presidente da junta de freguesia, assumindo que para este ano as expectativas continuam elevadas.

"Os recordes do ano passado são para manter ou até para ultrapassar. Ou seja, esperamos receber no mínimo cerca de 15 mil pessoas e comercializar pelo menos 30 toneladas de cereja", referiu, sublinhando ainda que o produto que está a ser comercializado "é de excelente qualidade" e negando que os produtores aproveitem a oportunidade para escoar o produto a preços mais elevados.

"Aqui só se comercializa cereja de boa qualidade porque é isso que nos distingue. Quanto aos preços, a como nos outros anos, estão previamente acordados e variam entre os dois euros e cinquenta cêntimos e os três euros no máximo", concluiu. Valores que são bem aceites pelos visitantes, a maioria dos quais não abandona a festa sem antes comprar uma ou mais caixas de cereja, e que levam mesmo grande parte dos produtores a assumir que o negócio nem está a correr mal. "Por agora está a superar as expectativas. Já vendemos cerca de 200 quilos e neste momento estamos à espera que as pessoas que temos no pomar nos tragam mais", disse ao DN Carlos Miguel. "Gostamos de vender o produto o mais fresco e com a melhor qualidade possível."

Lucinda Vaz foi uma das que não perderam a oportunidade de regressar a casa (Alcanena) com cerejas e licores na bagagem. "Somos grandes apreciadores e consumidores de cereja e por isso quando soubemos que havia a excursão para vir a esta festa e conhecer um dos locais onde ela é produzida não hesitámos."

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