A forte queda, no entanto, ainda não foi o suficiente para tirar do Brasil o título de ser um dos maiores países católicos do mundo, já que o catolicismo representa 64,6 por cento de uma população de quase 200 milhões de habitantes..Para o professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, padre Abimar de Moraes, é preciso também distinguir entre a "quantidade" e a "qualidade" desses fiéis, já que essa redução está ligada a mudanças sociais e culturais registadas ao longo dos últimos anos, que reduziram a "pressão" para que as pessoas se assumem como seguidoras de alguma religião.."Quando a gente diz que o Brasil é um país de maioria católica, isso há 50, 70, 100 anos, tinha um impacto, um peso, era quase que uma obrigatoriedade que o brasileiro se dissesse católico", salientou Moraes em entrevista à Lusa, salientando que cada vez mais os cidadãos estão livres para assumir que não seguem uma crença religiosa..O declínio constitui uma tendência que se iniciou desde o primeiro censo no país, em 1872, quando então 99,7 por cento da população brasileira dizia-se católica. Na ocasião, o Império do Brasil tinha o catolicismo como religião oficial..Em todos os censos, tem existido um declínio, algo que se acentuou nos últimos anos, algo que a Igreja quer inverter, apostando na conquista dos mais novos, com estratégias como a realização da Jornada Mundial da Juventude, que tem início segunda-feira no Rio de Janeiro.."A própria realização da Jornada, que é feita basicamente de trabalho voluntário, aponta na direção de um grupo de católicos bastante maduros, que aceitaram esse desafio. A Igreja no Brasil hoje é muito mais do que os padres e bispos", salienta o sacerdote..Se por um lado, parte dos "ex-católicos" são pessoas sem qualquer crença religiosa (15 milhões de pessoas ou 8 por cento da população), os dados indicam um aumento no número de evangélicos, saltando de 6,6 por cento em 1980 para 22,2 por cento, em 2010..Para o professor de teologia, muito do crescimento das Igrejas Evangélicas pode ser explicado pelo uso de uma estratégia mais comercial, da igreja como espetáculo e a mercantilização da fé.."Por um lado existe a atuação efetiva dessas igrejas, que deve ser louvado e respeitado", observa Moraes, que espera uma atenção do papa às manifestações das últimas semanas.."As informações que temos é de que o papa, assim que soube das primeiras manifestações, mostrou bastante interesse em entender o que está acontecendo no Brasil e inclusive terá revisto seus textos para contemplar essa questão no seu discurso", avançou o teólogo à Lusa..O papa Francisco chega na próxima segunda-feira (22) ao Rio de Janeiro, onde manterá encontros com a presidente Dilma Rousseff no mesmo dia. Os principais atos de massa acontecerão nos dias 25 e 26, na orla de Copacabana, quando se prevê a presença de entre 1,5 e 2 milhões de fiéis.