Visita do Papa ao Brasil tenta inverter perda de fiéis

A visita do papa Francisco ao Brasil ocorre num momento de forte declínio no número de católicos no país, que passou de 91,8 por cento, em 1970, para 64,6 por cento, em 2010, de acordo com o último censo.
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A forte queda, no entanto, ainda não foi o suficiente para tirar do Brasil o título de ser um dos maiores países católicos do mundo, já que o catolicismo representa 64,6 por cento de uma população de quase 200 milhões de habitantes.

Para o professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, padre Abimar de Moraes, é preciso também distinguir entre a "quantidade" e a "qualidade" desses fiéis, já que essa redução está ligada a mudanças sociais e culturais registadas ao longo dos últimos anos, que reduziram a "pressão" para que as pessoas se assumem como seguidoras de alguma religião.

"Quando a gente diz que o Brasil é um país de maioria católica, isso há 50, 70, 100 anos, tinha um impacto, um peso, era quase que uma obrigatoriedade que o brasileiro se dissesse católico", salientou Moraes em entrevista à Lusa, salientando que cada vez mais os cidadãos estão livres para assumir que não seguem uma crença religiosa.

O declínio constitui uma tendência que se iniciou desde o primeiro censo no país, em 1872, quando então 99,7 por cento da população brasileira dizia-se católica. Na ocasião, o Império do Brasil tinha o catolicismo como religião oficial.

Em todos os censos, tem existido um declínio, algo que se acentuou nos últimos anos, algo que a Igreja quer inverter, apostando na conquista dos mais novos, com estratégias como a realização da Jornada Mundial da Juventude, que tem início segunda-feira no Rio de Janeiro.

"A própria realização da Jornada, que é feita basicamente de trabalho voluntário, aponta na direção de um grupo de católicos bastante maduros, que aceitaram esse desafio. A Igreja no Brasil hoje é muito mais do que os padres e bispos", salienta o sacerdote.

Se por um lado, parte dos "ex-católicos" são pessoas sem qualquer crença religiosa (15 milhões de pessoas ou 8 por cento da população), os dados indicam um aumento no número de evangélicos, saltando de 6,6 por cento em 1980 para 22,2 por cento, em 2010.

Para o professor de teologia, muito do crescimento das Igrejas Evangélicas pode ser explicado pelo uso de uma estratégia mais comercial, da igreja como espetáculo e a mercantilização da fé.

"Por um lado existe a atuação efetiva dessas igrejas, que deve ser louvado e respeitado", observa Moraes, que espera uma atenção do papa às manifestações das últimas semanas.

"As informações que temos é de que o papa, assim que soube das primeiras manifestações, mostrou bastante interesse em entender o que está acontecendo no Brasil e inclusive terá revisto seus textos para contemplar essa questão no seu discurso", avançou o teólogo à Lusa.

O papa Francisco chega na próxima segunda-feira (22) ao Rio de Janeiro, onde manterá encontros com a presidente Dilma Rousseff no mesmo dia. Os principais atos de massa acontecerão nos dias 25 e 26, na orla de Copacabana, quando se prevê a presença de entre 1,5 e 2 milhões de fiéis.

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