Vereador do PCP de Cascais detido por resistir às autoridades

Clemente Alves estava numa manifestação para impedir a construção de um parque de estacionamento. O vereador da CDU desmente que tenha resistido às autoridades.
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Clemente Alves, vereador do PCP na Câmara Municipal de Cascais e candidato da CDU à presidência da autarquia, foi esta terça-feira detido pela PSP, confirmou o DN junto de fonte do município. E comparecerá amanhã no Tribunal de Cascais para um processo sumário.

Segundo a câmara, Clemente Alves estava a participar numa manifestação ilegal contra uma obra no concelho de Cascais, tendo sido detido depois de reagir de forma agressiva ao pedido das autoridades para abandonar o local. O vereador desmente esta versão e diz que se tratava apenas de uma concentração de moradores do local "contra a falta de esclarecimento"sobre a obra em causa".

"Os agentes policiais tentaram que o vereador abandonasse o local, mas este tratou mal um polícia, desobedeceu às ordens e resistiu. Foi detido e levado para a esquadra do Estoril", indicou à Lusa fonte Fonte do Comando Metropolitano de Lisboa, acrescentando que a detenção ocorreu cerca das 11:00.

Terá sido levado para a esquadra da PSP de Cascais.

Ao que o DN apurou, Clemente Alves juntou-se a manifestação no local onde está prevista a construção de um parque de estacionamento, em S. João do Estoril, estando a obra já a decorrer. Colocou-se em frente às máquinas e quis impedir os trabalhos, defendendo que ali deveria ficar um espaço verde. O vereador comunista afirma ao DN que foi interpelado pelos elementos da PSP que compareceram no local (cerca de 10), que o quiseram expulsar do local.

"O comissário graduado que estava presente deu-me um encontrão e pediu-me a identificação. Voltei a referir que era vereador e que tinha direito à informação porque comparecera a PSP no local. Mas atirou-me ao chão e um grupo de policias veio sobre mim e transportaram-me para a esquadra", conta o vereador.

A PSP tem uma versão diferente, alega que o vereador do PCP acabou por ter uma reação agressiva perante os agentes, que acabaram por detê-lo.

"Não entendo como é que a PSP pode sustentar essa acusação. Não resisti a coisa nenhuma. Apenas interpelei o graduado sobre a presença policial no local e acabei agredido. Eu é que fui agredido, lançado ao chão, manietado e levado algemado para a esquadra. Houve manifestamente uso excessivo da força por parte da polícia", defendeu Clemente Alves, criticando a "forma agressiva" como os agentes policiais atuaram e o abordaram diretamente assim que chegaram.

Na passada quinta-feira, Clemente Alves acusara a Câmara Municipal de Cascais de estar a cometer um "atentado ambiental" na Quinta da Carreira, em S. João do Estoril, "com a construção dum parque de estacionamento para 200 automóveis numa área classificada no Plano Diretor Municipal como Reserva Ecológica e em leito de cheia".

Num texto publicado no Facebook, frisou que "o vereador da CDU votou contra" e afirmou que a obra "não pode deixar de se considerar clandestina", uma vez que a autarquia não terá afixado no local o "Aviso de Obra".

Na rede social, divulgou ainda o link para uma petição pública "contra as obras clandestinas" e em defesa dos terrenos da Quinta da Carreira. Ao início da tarde de terça-feira, a petição contava com 267 assinaturas.

Segundo um comunicado da organização da manifestação, os populares estão contra a continuação dos trabalhos, "que se encontram repletos de diversas anomalias técnicas, jurídicas e contrárias ao interesse da população, a qual, aliás, nunca foi ouvida".

Clemente Alves, que é também o candidato da CDU nas próximas eleições autárquicas de 01 de outubro, anunciou em fevereiro a concelhia da Coligação Democrática Unitária (CDU), alega que a construção do parque de estacionamento "é clandestina", já que nem junto à obra há qualquer aviso da obra. "É uma falta de respeito pelos moradores, que esteja a ser construído um parque de estacionamento num local onde deveria nascer uma zona de lazer".

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