Verão faz disparar picadasde insectos e pequenos animais

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Maria dos Anjos foi internada com febre muito alta (39,5ºC), sonolência, cansaço e dores musculares. Esteve dois dias em observação, sem que ninguém descobrisse as causas destes sintomas. Mas um nódulo no braço esquerdo chamou a atenção dos médicos. "Tinha uma mancha vermelha e um ponto negro e duro no centro, mas não me doía", lembra a mulher de 75 anos. No final, os exames clínicos revelaram que se tratava de febre da carraça.

"Estes casos ainda são bastante usuais hoje em dia, principalmente entre os trabalhadores rurais e caçadores", garante António Grácio, director da Unidade de Entomologia Médica, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

"A carraça pode transmitir a febre escaronodular, uma doença infecciosa transmitida do animal - cão, coelho, gato - ao homem. É uma doença endémica no nosso país", explica Mariana Reis Lopes, especialista em medicina geral e familiar.

Um estudo da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa contabilizou 425 casos de febre da carraça em 2003, os últimos dados conhecidos so-bre o problema. Com ocorrência sobretudo nos meses de Verão, esta doença pode, em casos extremos, ser fatal, com uma taxa de mortalidade de 2,6%.

Mas a carraça está longe de ser o único animal que representa algum perigo nesta época. Com o calor, chegam também, em maior número, os mosquitos, as pulgas, as abelhas, as melgas, as alforrecas e os peixes-aranhas.

Nuno Caetano, de 48 anos, sabe--o bem. "Nesta altura tenho de ter muito cuidado", diz o comerciante, acrescentando: "As abelhas são o meu inimigo número um. Uma vez fui picado na mão por três vespas e senti-me a inchar de tal maneira que parecia que estava a ser insuflado. Chego a ficar com a cara deformada."

"As picadas das abelhas são das situações mais graves nesta altura, por poderem provocar choques anafilácticos e até a morte", admite o dermatologista António Pinto Soares. "Se a picada for na cavidade oral, pode haver risco de asfixia", completa Mariana Reis Lopes.

Em Portugal, a existência a uma reacção clínica importante ao veneno de abelhas ou vespas situa-se entre 0,6 e 3%.

"As pessoas que forem alérgicas têm de perceber se fazem reacções locais ou reacções generalizadas ou sistémicas, como falta de ar e perda de sentidos. Neste caso, devem procurar a vacina contra a picada das abelhas, que é muito eficaz", aconselha Pedro Lopes da Mata, do Instituto Clínico de Alergologia.

Os mosquitos também são uma dor de cabeça, sobretudo para quem faz alergias. Nestes casos, além de usar creme com anti-histamínico, pode ser preciso tomar corticóides.

"As víboras e aranhas também são perigosas por poderem provocar áreas de necroses (morte de tecidos) e posteriores infecções", afirma Pinto Soares. Os ácaros do pó, por sua vez, "existem às centenas em nossas casa e, mortos ou vivos, provocam alergia na pele", diz António Grácio.

Mas não é só na terra ou no ar que paira o perigo. No mar, também é bem real. Telmo Nunes, de 27 anos, já foi picado duas vezes por peixes- -aranhas, em Albufeira. "Parecia que me estavam a cortar a pele e a dor era insuportável", conta o engenheiro de telecomunicações. Foram os nadadores-salvadores que o socorreram. "Depois disso, e durante uns anos, só ia à água com sandálias de borracha", confessa.

No mar, "são as caravelas-por-tuguesas que apresentam risco maior, explica Pinto Soares. "São raros, mas estão descritos casos de morte porque as pessoas entraram em estado de choque" depois de terem tocado nesta colónia de pequenos organismos.

Uma centena destes animais apareceu esta semana na praia da Foz do Arelho, nas Caldas da Rainha, obrigando ao hastear da bandeira vermelha durante três dias. Em contacto com a pele, os tentáculos provocam queimaduras, irritações e dores fortes.

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