Venezuela pode estar a subestimar o número de casos de Zika

A infeção pelo vírus de Zika parece estar ligada a um crescente número de casos de microcefalia
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A Venezuela estará provavelmente a subestimar o número de casos de infeção pelo vírus Zika no país, de acordo com médicos locais, com o governo da vizinha Colômbia e com políticos que se opõem ao governo de Nicolas Maduro.

A ministra da Saúde da Venezuela, Luisana Melo, anunciou no princípio de fevereiro que tinham sido registados 4700 casos de infeção pelo Zika no país. O país quente e húmido poderá, no entanto, ter muitos mais casos que não estão a ser identificados, alertam médicos.

O vírus parece estar ligado a casos de microcefalia em bebés quando mulheres grávidas são infetadas, e já levou a um alerta da Organização Mundial de Saúde, que lidera a corrida para encontrar uma vacina para o Zika e comprovar cientificamente a ligação entre a microcefalia e a infeção.

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Médicos na Venezuela afirmam que a crise económica que se vive no país limita a disponibilidade de produtos desde repelentes de mosquitos até medicamentos para a febre, essenciais no combate e tratamento dos sintomas do vírus Zika. "O governo está a esconder informação", disse o oncologista José Manuel Olivares à agência Reuters. "Se não reconhecerem a magnitude da crise, não vão agir. O número de casos de Zika vai aumentar".

O especialista em doenças infecciosas Julio Castro estima que os casos possam ir de 240 mil a 500 mil, baseando-se em algoritmos e na informação de boletins de saúde divulgados ilegalmente. O Ministério da Saúde venezuelano deixou de emitir boletins regulares há mais de um ano.

A vizinha Colômbia, que registava mais de 20 mil casos de infeção por Zika no princípio de fevereiro, também comentou o caso. "A situação do Zika na Venezuela pode ser muito mais séria do que a do nosso país", disse o ministro da Saúde Alejandro Gaviria, numa entrevista com a rádio colombiana BLU. O governo de centro-direita da Colômbia choca frequentemente com o governo socialista de Caracas liderado por Maduro.

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